Cansado da novela Ronaldinho Gaúcho decidi escrever a respeito da situação, quase que profissionalmente por que o meu interesse era ignorar Ronaldinho justamente como ele merece. Ronaldinho e Assis são ridículos, só para usar a palavra de maior calão que encontrei já que os dois merecessem adjetivos piores.
Ronaldinho, na minha visão, peca pela inocência, peca por não perceber o quanto sua imagem está saindo arranhada do episódio, peca por não ver que os gremistas que poderiam apagas as mágoas e idolatrá-lo passarão a vê-lo como o maior vilão da história do clube, peca por não perceber que ao deixar a imagem de que se acha maior que os clubes, se achará também maior que a seleção brasileira e assim, deixará de fazer parte do grupo de Mano Meneses, que inclusive já deveria ter se posicionado sobre o assunto.
O vilão de verdade, o bandido é o irmão e empresário do jogador, Assis. Num post recente comentei sobre as escolhas das sedes das Copas do Mundo analisando que não julgaria a FIFA por apostar em novos mercados e conseqüentemente na possibilidade de uma rentabilidade melhor, vivemos o mundo dos negócios, não adianta lamentar. Mas Assis extrapolou, passou dos limites e ofendeu o próprio torcedor brasileiro, seja de qual time for, quis vender a imagem de que a chegada de Ronaldinho era a verdadeira razão de ser de qualquer clube, independente do custo ou da possibilidade de retorno. Permitiu que seu cliente e irmão se manchasse com quase todos os clubes brasileiros, estejam eles envolvidos ou não, criou um leilão por um jogador que não vale isso, desrespeitou clubes, instituições, torcidas e salas de troféus.
Ronaldinho, ao contrário do que pensam ele e seu irmão, não é maior do que nenhum clube, muito pelo contrário, não há jogador que seja. Não defendo que uma camisa e uma instituição possa ser mais importante que um ser humano, mas o desrespeito à instituição é indiretamente um desrespeito tremendo a milhares de seres humanos. Ronaldinho e Assis desrespeitaram o Grêmio e assim, milhões de torcedores, milhares de pessoas que tem no tricolor gaúcho a principal alegria, desrespeitou uma diretoria muito profissional que não mediu esforços para montar um contrato de qualidade e atraente, desrespeitou Renato Gaúcho, Mário Sérgio, Jardel, entre outros milhares de craques que, por saberem quem eram e qual seu significado no clube, trouxeram glórias marcantes. Eles desrespeitaram Ademir da Guia, Leão, Dudu, Rivaldo, Djalminha... e os milhões de palmeirenses por trás desses jogadores, desrespeitaram Zico, Bebeto e a maior torcida do país.
Ronaldinho não é maior que isso tudo, sequer é melhor que qualquer um desses jogadores citados, não adianta a imagem de alguém que pode decidir sozinho se faz quatro anos que ele não decide nem em conjunto, não adianta citar as temporadas vizinhas a 2005, pois dois ou três anos de alto nível e flashes em outros dez não tornam um jogador um gênio no todo. Pois Ronaldinho vive de duas temporadas maravilhosas no Barcelona e de alguns lampejos de genialidade como o gol contra a Venezuela, os chapéus em Dunga, o gol de falta na Copa 2002, e alguns dribles dos tempos de Milan. É pouco.
Envergonhado, admito que sempre fui um dos que mais apoiou Ronaldinho Gaúcho, mais defendeu em discussões, mas quis colocá-lo como um Deus do futebol moderno, mas eu estava errado. É fato, não adianta se apegar a um drible bonito se no jogo Le não rendeu, não adianta dar chapéu no circulo central se não ajuda a equipe, não adianta fazer gol e perder por 2 a 1. Se Ronaldinho não respeita e, portanto, não se dá o respeito, não deve ser contratado, está faltando o Mano se pronunciar contrário a essa postura e lembrá-lo que isso só o afasta da seleção, pois ele não é, nem pode se achar mais que ninguém, lá dentro. Faltavam os clubes tomarem a atitude de Paulo Odone e Luiz Gonzaga Beluzzo, de sair do leilão, se dando o respeito e mostrando que não há jogador que possa querer se sobressair sobre a instituição. Não faltam matérias e comentários interessantes nos jornais repudiando a atitude de Ronaldinho e do bandido Assis, o mais bacana deles é de Xico Sá na Folha, analisando a vida noturna e as “zonas” de Porto Alegre, Sampa e do Rio para entender que cidade seria melhor para o jogador, afinal, é isso o que ele quer.
Estão de parabéns Grêmio e Palmeiras pela sua atitude, apenas de tardia, está errado o Flamengo em se manter na disputa mesmo enquanto Assis da uma parada esperando novos interessados no leilão.O Flamengo aliás, está mais uma vez de pernas abertas para um jogador que, tenho certeza, se assinar, vai treinar quando quiser e jogar quando quiser, como é tão comum pelos lados da gávea, o Flamengo definitivamente precisa se comportar como o time grande que pensa ser.
Enfim, mesmo nesse mundo de negócios, é preciso respeitar o interessado e apostar naquilo que dê certo, Ronaldinho já falhou no primeiro ponto e não é garantia de acerto no segundo. Num país ainda cheio de miseráveis, um já milionário querer abdicar de sua postura ética em nome de virgulas nos milhões que continuará recebendo é sem dúvida uma das posturas mais patéticas que já vi dentro do futebol, que Tornam Assis um bandido de última categoria e Ronaldinho um jogador medíocre, nesse momento, dentro e fora de campo.
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