É verdade que problemas no computador me impediram de escrever regularmente no blog e o grande tema prejudicado foi o inicio do campeonato brasileiro. Depois de dar palpites, opinar e apontar meus candidatos, não escrevi mais a respeito de nada que estava, de fato, acontecendo.
Após sete rodadas praticamente completas a tabela de classificação já começa a tomar um desenho (privilegiando o eixo Rio- São Paulo) e diversos acontecimentos mereceriam destaque, como a goleada do Corinthians no clássico, as aparentes recuperações de Cruzeiro e Ronaldinho Gaúcho, o terror no futebol paranaense, entre outros. Mas não.
Já que “perdemos” as discussões das primeiras sete rodadas então vou dedicar o post a outro problema que pode ter dificultado a análise das mesmas, o fraquíssimo nível do campeonato.
Há anos que temos experimentado um campeonato nacional cada vez mais fraco e está ficando mesmo, cada vez pior, mas estamos chegando ao ponto de que está difícil de assistir, alguns jogos são de doer e nem a desculpa do “emocionante” torneio de pontos corridos elimina isso. Tenho sim assistido a maioria dos jogos e confesso que tem sido com grande esforço, não tem sido nada fácil passar 90 minutos diante das peladas com as quais estamos sendo brindados.
Para mostrar em detalhes o que quero dizer, vamos fazer inicialmente um exercício, tente listar dez jogadores que atuam no futebol brasileiro que estão acima do bem e do mal. Se você conseguir achar dez, pense se a maioria deles não está de saída ou é grande alvo de sondagens européias. O Campeonato Brasileiro, lamentavelmente, precisa, hoje em dia, se contentar com “o pouco que sobrou”. O nível técnico cai, os jogos pioram, o torcedor sofre.
Se quiserem outro exemplo, vejam o São Paulo, que com um inicio impressionante garantiu 100% nas cinco primeiras rodadas, não bastasse que a seqüência trouxesse duas derrotas vergonhosas, ainda temos que lembrar jogos como os contra Atlético e Ceará em que o tricolor foi completamente e totalmente minado dentro de campo, massacrado e escapou por falta de pontaria dos adversário, boas atuações de Rogério e sorte, muita sorte. Quem tomou a liderança são paulina foi o Corinthians, num jogo “de dar calo no olho”, o timão abriu o placar logo no começo em cobrança de pênalti ousada de Chicão e se segurou durante o restante da partida, se segurou de verdade, pois Julio César e o bandeirinha (corretamente) fizeram a diferença. O Cruzeiro iniciou o campeonato seguindo seu exemplo na Libertadores, com um ataque poderoso pecou na pontaria e acabou afundando na zona de rebaixamento, veio Joel Santana e o time pegou a cara, como todo o nariz, do treinador, jogo feio, poucas jogadas ofensivas e... duas vitórias, uma por muito enganosos 3 a 0. O próprio Santos, que ganhou a Libertadores e “ainda não estreou” vem, como já disse, ao melhor estilo Muricy Ramalho, futebol tosco e vencedor. Palmeiras e Flamengo, com campanhas até bem sólidas, o rubro negro com apenas uma derrota no ano, nenhuma no brasileiro e campeão carioca, tem um joguinho para o gasto que ofende o Luxemburgo campeão com Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro e o verdão de Felipão, que deve freqüentar a parte de cima da tabela é um dos times mais feios dentre todos os citados.
A culpa não é dos treinadores, realmente faltam peças, é difícil contar com jogadores tão irregulares, aquele craque com quem o treinador sempre conta será inevitavelmente transferido na janela de agosto, alguns que nem são tão bons assim também o serão e grande parte do que fica aqui é sobra. Há alguns meses Dagoberto era o grande nome do São Paulo, fazendo grande dupla com Fernandinho, Diego Souza chegou mudando a cara do Vasco e sendo diferencial para a conquista da Copa d Brasil, até agora quem vem “carregando o Corinthians é o meia Danilo e Luan já chegou a assumir a artilharia com o Palmeiras. É muito jogador mais ou menos, não é não? A exceção dos Lucas, Neymar e Gansos que logo, logo estarão desembarcando em solo europeu o naipe geral é de jogadores fracos, muito fracos, limitados ou em fim de carreira, o futebol brasileiro já está dando o primeiro passo para se tornar como o argentino, cada vez mais cheio de grandes revelações fazendo a alegria dos torcedores europeus e com seus próprios clubes cada vez mais enferrujados, a situação ainda não é tão grave, mas o sinal amarelo já ascendeu. Há mais ou menos um século, Lima Barreto ironizava acidamente o cruel destino do ufanista Policarpo Quaresma, fiel e apaixonado por sua nação, cem anos mais tarde os ufanistas do futebol estão prestes a sofrer o mesmo triste fim.