sexta-feira, 29 de julho de 2011

Por motivo de viagem acabei passando mais de uma semana sem escrever no blog, assim, perdi os posts sobre a eliminação brasileira na Copa América e o título uruguaio. O post vem observar esses eventos para voltar a atenção ao campeonato brasileiro que finalmente parece ter começado a pegar fogo, o jogo entre Santos e Flamengo na ultima quarta feira foi sensacional, quatro golaços dois de Neymar e dois de Ronaldinho que mostraram o talento que o brasileiro realmente tem vontade de ver. Pareceu pelada de fim de semana? Pelada por pelada, prefiro essa do que as que costumamos ver por aí.
            Ma voltando ao torneio continental, o Brasil fez seu melhor jogo diante dos paraguaios, pressionou, insistiu e parou na falta de pontaria, pontaria tão falha que na disputa de pênaltis, após quatro cobranças, nenhum acerto. O que era pra ser a grande virada da era Mano no comando da seleção se transformou num dos maiores vexames que a seleção brasileira já viveu, impressionante, aonde foi parar a bola na cobrança de Elano?
              Mano Meneses fez o que precisava ser feito, o que o povo queria, tem esse mérito a seu favor para continuar no comando, mas fez um péssimo trabalho até aqui, não consegue tirar dos jogadores seu melhor jogo e a seleção, mesmo ofensiva, mesmo renovada, mesmo como deve ser, continua sem graça de ser vista e pior, não consegue resultados, o Brasil não venceu nenhuma boa seleção sob o comando de Mano, seja uma poderosa Holanda, uma reconstruída França, uma oscilante Argentina, ou um apenas razoável Paraguai. A saída de Mano seria uma opção sim, a permanência também, já que vai permanecer, vai ter que mudar muita coisa. 
            Brasil e Argentina não deram no coro, coube ao Uruguai assumir o favoritismo, já tinha escrito sob como é empolgante ver a seleção uruguaia, com limitações técnicas claras a celeste se vale da vontade dos seus jogadores, inclusive dos que realmente tem qualidade como Forlán, que se multiplica em campo de uma maneira impressionante, como se corresse e jogasse por seus companheiros que possuem menos qualidade que ele. O grande símbolo dessa conquista é mesmo Forlán, que decidiu a final contra os paraguaios fazendo dois gols, mas o craque da Copa América é Luisito Suarez, menos brilhante, mas mais regular, fazendo gols em praticamente todos os jogos.  O título uruguaio também coroa uma geração que tem além de Forlán e Suarez, Cavani, Lugano, Muslera e Loco Abreu, todos jogadores que merecem o gostinho desse título. Um título muito justo por sinal. 

sábado, 16 de julho de 2011

O jogo da Copa

Argentina e Uruguai foi, sem dúvida, o melhor jogo da Copa América, um jogo com a cara que esperávamos antes dos decepcionantes primeiros jogos da competição. Muita raça, catimba, boas doses de talento individual e Messi jogando bem, foi o nome da Argentina. Do jogo não tem pra ninguém, foi o goleiro Muslera.
            A Argentina jogou melhor e começou melhor, mas foi surpreendida logo cedo pelo gol de Perez que deu vantagem aos uruguaios, quase em seguida o jogador poderia ter sido expulso num lance em que tomou apenas cartão amarelo, mas seria expulso alguns minutos depois, o Uruguai jogou quase toda a partida com um jogador a menos. A Argentina contou com grande jogada individual de Messi, cortando e colocando a bola na cabeça de Higuain para que ele empatasse. A partir daí foi um Uruguai se segurando defensivamente e deixando que Forlan e Suarez resolvessem na frente, é fato que deram muito trabalho aos defensores argentinos, ainda mais no segundo tempo regulamentar, mas não brilharam tanto como Muslera, que num chute de Tevez fez defesa milagrosa ainda espantando o rebote de Higuain. É comovente ver o time uruguaio jogando dessa maneira, finalmente numa atuação ao estilo da Copa do Mundo, se superando a cada minuto mais na luta que em qualquer outra coisa, Forlan, com mais de 30 anos, voltando para armar, chegando para concluir, jogando e correndo 120 minutos doando seu talento diferenciado acima do necessário por saber que a maioria dos seus companheiros não esta a sua altura, foi uma vitória da garra. Mesmo com a expulsão de Mascherano que igualou o numero de atletas em campo por toda a prorrogação, o Uruguai ainda sofria com as investidas de Messi e Pastore.
            O Uruguai conseguiu assustar e, inferior, tecnicamente e durante muito tempo numericamente conseguiu levar o jogo para os pênaltis, cobrou cinco penalidades perfeitas e deixou que Tevez, pretendido pelo Corinthians, errasse, além das cobranças ruins de Pastore e Higuain que mais por sorte do que outra coisa acabaram entrando. O Uruguai agora joga a semifinal contra o Peru, que contou com um erro de pênalti também, dessa vez de Falcão Garcia, para levar pra prorrogação e matar o jogo com 2 a 0. O Peru também é um time do jogo de disposição, mas não tem a qualidade do ataque uruguaio, nem a vibração dos jogadores da celeste, se quiser vencer o Uruguai precisa apenas praticar seu jogo e só é eliminado por si mesmo, com Forlan e Suarez minimamente dentro da expectativa e o resto do time mantendo a pegada, não tem como o Uruguai não ser finalista. 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Acordaram...

Os favoritos parecem ter finalmente acordado, aparentemente a Argentina foi superior e massacrou mais seu adversário no jogo de sua reconstrução, mas o Brasil enfrentou um time melhor e só sofreu por dois erros grosseiros de Julio César. O goleiro parece nunca superar o trauma da Copa do Mundo e segue falhando até na Internazionale, por essa razão eu já teria escolhido Victor para a titularidade, a história de Júlio pouco vale perante as seguidas falhas.
            Bom mesmo foi ver Messi e Neymar jogando dentro das expectativas, o argentino comeu a bola e não teve uma atuação de gala mais pelos erros de finalização de Higuain do que por culpa própria, já Neymar brilhou menos, mas foi decisivo, fez dois gols, resolveu o jogo, exatamente o que se esperava e se desejava que ele já tivesse feito nos dois primeiros jogos, sem pentear tanto a bola, sem enfeitar demais o menino é realmente diferenciado, precisa parar de acreditar em tudo que dizem sobre ele por aí, a maioria das opiniões é exagerada demais, jogando o simples ele pode até se tornar o jogador que muitos brasileiros acreditam que ele já é.
            Agora é a hora da verdade, e na hora da verdade Brasil e Argentina tem um peso diferente, entram tão favoritos quanto antes contra Uruguai e Paraguai, mesmo depois da sofrida primeira fase e mesmo que os adversários sejam justamente os principais azarões do continente. Evidentemente vai ser preciso jogar bola, qualquer atuação semelhante às duas primeiras inverte o favoritismo (mas devemos levar em conta: Paraguai e Uruguai não têm assustado tanto assim).
            As mudanças nos dois times merecem ser destacadas: as na Argentina são mais fáceis de identificar, com um poder de fogo tão evidente, era um absurdo jogar com três volantes e três atacantes isolados, como se a geração não tivesse meio campistas do calibre de Di Maria e Pastore, sem Banega e Cambiasso, os principais expoentes do mau futebol praticado nos dois primeiros jogos o meio de campo ganhou mobilidade, a marcação não se concentrou totalmente em Messi que pode deitar e rolar, se marcasse o melhor do mundo, Di Maria seria o cara, quando se tem um número tão grande de jogadores tão bons, é preciso utilizá-los, não adianta investir na marcação num time que não tem isso como virtude, se quiser ganhar alguma coisa a Argentina precisa apostar no talento do ataque, Mascherano, Burdisso e Zanneti que se virem.
            O Brasil manteve a escalação do primeiro jogo, a mudança mais notável foi de postura, os meninos da frente (Robinho é um eterno garoto) pararam com as gracinhas e se lembraram que ganha jogo quem coloca mais vezes a bola dentro do perímetro do gol, Ganso deu assistências, Neymar e Pato fizeram dois gols cada, um no cruzamento de André Santos que permitiu a Mano Meneses a ilusão de que acertara na convocação. Por falar em laterais, notável a melhora do time com a escalação de Maicon, até a Copa do Mundo eu desdenhava de qualquer um que pensasse na escalação de Daniel Alves como titular, depois da Copa, a fase exuberante do Barcelona e a inconstância da Internazionale me passaram a impressão de que Daniel poderia assumir a titularidade, eu também iniciaria a Copa com ele na equipe, mas vai ficando claro que Maicon é um jogador muito mais funcional, forte fisicamente, bom na marcação, perigoso na linha de fundo, precisa permanecer. 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pintou o campeão

Não se preocupem torcedores brasileiros, lamentem apreciadores do bom futebol, mas a seleção brasileira já mostrou o que foi fazer na Argentina, o gol de Fred aos 44 minutos do segundo tempo deu à seleção brasileira a cara de Brasil (recente) que faltou no jogo com a Venezuela.
            Pois é, caros leitores, o Brasil agora enfrenta o Equador, aparentemente time mais fraco da chave, não importa a fraqueza do adversário será uma vitória difícil, num jogo modorrento e a equipe canarinho conseguirá a classificação para a próxima fase, se ficar em segundo, pode enfrentar o Chile, velho freguês, pois não importa que o Chile seja até agora o melhor time e o mais agradável de se ver jogar na Copa América, os chilenos treme só de ver Robinho, vão atacar infantilmente o Brasil e serão esmagados no contra ataque, depois uma atuação pálida pode garantir uma classificação pra final nos pênaltis, final que o Brasil não perderá. Esse é o Brasil. Futebol arte? Esse está morto há tempos, os times sensacionais da atualidade são os Santos ao melhor estilo Muricy. Não importa que a Argentina também esteja mal e também possa se classificar, o destino é cruel com os hermanos quando jogam mal, eles precisamos e esbaldar de jogar futebol para, talvez, ganharem alguma coisa, o Brasil não, com qualquer atuação pífica, acha gols incríveis nos minutos finais, lembro de uma decisão de Copa América entre as duas seleções que foi assim. O grande detalhe é que, dessa vez, não tem um Dunga de quem falar, Mano Meneses, que não tem culpa de nada, colocou o time que tinha que colocar, mudou o que tinha que mudar, Jadson foi o melhor em campo contra o Paraguai e sua substituição piorou o time, a ponto de assistirmos a um segundo tempo até pior do que o contra a Venezuela, não foi um jogo pior porque o Paraguai soube fazer alguma coisa contra, ao contrário dos homens de Hugo Chávez.
            E enquanto nosso vitoriosos rapazes caminham firmemente, ao melhor estilo seleção brasileira do novo século, na Alemanha, as meninas amargam nova eliminação, perderam a última para as alemães e agora nos pênaltis para os Estados Unidos, se apegam a um ridículo método vistoso de jogar futebol que novamente as castigou, continuaremos, portanto, ouvindo em pelo menos mais quatro anos que embora as meninas estejam evoluindo, futebol é, indubitavelmente, coisa de homem. Fazer o que? 

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O prazer de assistir futebol

A Copa do Mundo de futebol feminino ia passar batido nesse blog, me admitindo preconceituoso não tinha, inicialmente nenhuma intenção de acompanhar de perto o desempenho da seleção feminina nos gramados da Alemanha. Acompanho de longe, sei o que está acontecendo, mas com pouca paixão envolvida.
            Pois é válido afirmar que esse desinteresse foi brutalmente substituído por uma vontade real de assistir cada partida, Messi e Neymar que me perdoem, mas assistir ao futebol deles fica extremamente complicado quando comparado à possibilidade de ver Marta, Erica, Formiga e Cristiane em ação. Os próprios espanhóis, campeões do mundo que se coloquem em seus lugares, na copa da África foi difícil ver jogo tão movimentado e emocionante quanto o Alemanha 4 x 2 França que garantiu a classificação das alemães para a fase seguinte. Agora a tarde outras duas grandes partidas, o Brasil que vinha de excelente vitória sobre a Noruega por 3 a 0 com show de Marta repetiu o placar contra a Guiné Equatorial que tinha em torno de dez jogadoras brasileiras naturalizadas, no mínimo curioso. E fica a prova que não é só de Marta que vive o futebol feminino, o primeiro gol brasileiro no dia marcado por Érica foi mais que lindo, mais que uma pintura, foi uma verdadeira obra prima, com chapéu na defensora e um sem pulo com categoria raramente apresentada no futebol masculino moderno. Enquanto escrevo o posto, vou acompanhado a vitória d Suécia sobre os Estados Unidos, os dois países onde o futebol feminino tem mais moral. Mas não é difícil imaginar que, mesmo com todo apoio, elas sempre continuam à sombra dos marmanjos, na Suécia o futebol é um esporte popular e raramente um sueco deixaria de ver a pífia participação da seleção comandada por Ibrahimovic pelo bom futebol de Lotta Schelin, e as americanas, ainda que, teoricamente, tenham mais moral para a pratica do futebol que os homens, com certeza estão muito a margem dos rapazes do baseball ou do basquete.
            Sem o glamour de pop stars, sem os salários exorbitantes, sem a mesma pressão por resultados a todo custo, as meninas da bola, por todo o mundo vão dando um show nos homens, partidas muito mais movimentadas, atuações com coração, feitas por quem quer estar ali e não pela obrigação do cumprimento de um contrato com um clube, patrocinador ou agente. A falta de conhecimento e a certeza de que certo ostracismo voltará a imperar entre a mulherada no dia seguinte em que alguma seleção levantar a taça de campeã não advém de falta de qualidade das meninas e sim, da falta de apoio, reconhecimento e investimento das entidades esportivas e empresas patrocinadoras. Mas querem saber, sei que elas adorariam ter reconhecimento muito maior do que têm e merecem isso, mas, temos de concordar, tem feito um bem danado pro futebol delas. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Que fiasco Brasil

Esse post é em solidariedade as vitimas do atentado ao futebol acontecido ontem em La Plata, de apoio àqueles que desperdiçaram duas horas de suas vidas e que pensam em exigir ressarcimento pelo desrespeito que sofreram. Se o Brasil tivesse perdido para a Venezuela e o time cor de vinho tivesse convencido que está mesmo em evolução e mostrado alguma bola eu poderia mudar o tom do primeiro parágrafo, mas não, a seleção brasileira empatou mesmo em 0 a 0 contra a mesma Venezuela de sempre, um time fraco e sem recursos.
            Sim, eu não concordo com a teoria de que não há mais bobo no futebol, aliás cada dia temos mais bobos no futebol já que não é o crescimento da Venezuela (ou da Bolívia) que explica os resultados dessa primeira rodada, é sim a incompetência plena que apresentaram Argentina e Brasil nesses jogos iniciais.
            Na linha do que disse Mauro Cezar Pereira, estávamos pasmos com o péssimo futebol argentino quando nos deparamos com um pior, o brasileiro. O Brasil conseguiu sem pior que os donos da casa.
            Torcer pela seleção brasileira já se tornou uma atitude cansativa, chata e sem tesão, difícil apontar um sobrevivente que seja apaixonado por futebol e torça realmente pela seleção brasileira, conciliar essas duas coisas é difícil, para torcer pelo Brasil nos últimos cinco anos, no mínimo, é necessário estar disposto a acompanhar tragédias futebolísticas como a de ontem. A última vez que me lembro ter sentido gosto em ver o Brasil em campo foi na Copa das Confederações 2005 quando o quadrado de Ronaldinho, Robinho, Kaká e Adriano funcionou, o Brasil venceu e convenceu. De lá para cá tivemos a medonha participação brasileira na copa 2006 e a era Dunga, provavelmente o período mais negro da história da equipe canarinho. Mas mesmo antes de 2005 a trajetória brasileira já vinha problemática, as duas passagens de Parreira, embora vitoriosas estiveram longe de serem empolgantes e teve também os fiascos de Luxemburgo e Leão, mas vale poupá-los, o time não se acertou como era esperado.
            Fica o luto, houve o tempo em que a seleção brasileira era desejada até por estrangeiros, todo mundo queria ver jogar o Pelé, o Garrincha, o Falcão, o Romário, o Ronaldo, falta isso hoje em dia. Considero as estréias de Ganso e Neymar absolutamente decepcionantes por causa disso, faltou serem o craque que anunciam ser, eles até estiveram acima do avoado Pato, do inoperante Robinho e do insulto que foi a partida de Ramires e Daniel Alves, além de André Santos, uma ofensa só em ser escalado. Defendo sempre o direito que cada treinador tem de ter preferências, quando ninguém é evidentemente superior ao outro, Mano tem o direito de optar por Pato ao invés dos meus preferidos Hulk e Nilmar, apesar do milanista nunca aproveitar as oportunidades que tem para “acontecer”, merece mais essa, a prova de fogo para vermos se vai ou racha. Mas Mano não tem o direito de escalar seu queridinho André Santos enquanto Marcelo estiver voando como está, aliás não tenho dúvidas que o jogador do Real Madrid não foi nem convocado porque Mano sabia a pressão que sofreria ao deixá-lo esquentando banco para seu amado.
            Não quero começar a falar mal de Mano Meneses como fazia com Dunga, Mano não é tão desprezível quanto o ex -treinador,  a questão é que entra ano, sai ano  a seleção não dá gosto, sai treinador, entra treinador e o time segue não encantando, muito pelo contrário, segue decepcionando. Lógico então que a culpa não é de Mano Meneses, ele fez o que tinha de fazer, colocou o time pra frente, dois volantes que tem saída de bola, bom passe e qualidade, laterais que sobem muito, Ganso para ser o cérebro do meio campo, Robinho e Neymar abertos para o agora centroavante Pato. Não da pra acusar seu sistema de jogo, faltou alguém aproximar mais de Pato no meio da área já que ele jogou ilhado pela marcação venezuelana, a partida desastrosa de Ramires e dos laterais minaram a saída de bola da seleção, Robinho e Neymar tiveram que voltar para buscar jogo, acabaram isolando Pato na frente e pouco puderam fazer, pois quando precisavam  tabelar com Daniel Alves e Andre Santos não recebiam nada de volta. A partida foi tão ruim que mesmo nem dá pra contestar o Pato ou crucificar o Andre Santos tanto quanto seria desejável já que dois dos piores jogadores foram justamente Daniel e Ramires, praticamente incontestáveis nas suas posições. Num jogo como esses fica difícil dizer que já chega de Robinho, como eu e milhares de brasileiros desejamos, já que o Lucas entrou e nada mudou, fica difícil defender ou condenar o sistema ofensivo ou defensivo já que o burocrático Elano entrou e novamente nada mudou. Aliás, o Brasil vinha minimamente pressionando (embora não transformasse isso em finalizações) no primeiro tempo, após as mudanças da etapa final o time só piorou e nos acréscimos do segundo tempo quem pressionou em busca de tirar o zero do placar foi justamente a Venezuela. Por isso não acho que Mano deva contestar suas preferências no momento, se é esse o time que ele quer escalar, se o brasileiro quer uma equipe jogando para frente então ótimo, repita a escalação, (eu preferia Lucas no lugar de Robinho), o Brasil não vai repetir uma atuação tão ruim nos próximos jogos, ate porque não tem jeito de ser pior do que foi. O time vai se encontrar e se a seleção já não é o que foi outrora sabemos, pelo menos, que esses jogadores sabem alguma coisa de futebol, muitos deles estão em crescimento e que dá pra esperar mais do que foi.
            O que fia mesmo é apenas mais uma página manchada na história da seleção brasileira rumo ao completo ostracismo diante do povo brasileiro, com uma confederação que organiza amistosos bestas só pelo dinheiro, com jogadores que parecem jogar só pelo dinheiro, que são estrelas (usam cabelinhos para fazer moda, freqüentam a alta sociedade), mas não ídolos, que não criam identificação com a camisa dos clubes nacionais (muitas vezes nem com a dos estrangeiros), enfim, por uma lógica de mercado que constrói enormes espetáculos vazios. É assim no esporte, na música, no cinema, nas artes, em quase tudo. Estou pessimista. 

sábado, 2 de julho de 2011

Que fiasco Lionel

A Argentina tem uma das melhores gerações do futebol atual, para mim é a melhor geração do futebol atual, o time só carece de resultados já que vem sem conquistar nenhum título a quase vinte anos, desde os tempos longínquos de Maradona, Caniggia e do então jovem Batistuta. Desde então tiveram seus sonhos frustrados nomes como Riquelme, Verón, Crespo, Saviola, Samuel, Aimar, Ortega entre outros, o nome de Zanneti poderia figurar nessa lista se o lateral não fosse um imortal, ontem na péssima atuação coletiva contra a Bolívia, o jogador de 37 anos só não foi melhor que Agüero, o craque do jogo.
            Mas quem foi nomeado pela Conmebol o nome da partida foi justamente Lionel Messi, numa das piores atuações que acompanhei na sua carreira. Messi não decepcionou tecnicamente ao pegar na bola, decepcionou porque quase não pegou na bola, se escondeu em campo e não chamou a responsabilidade, obrigação de quem é o melhor jogador do mundo. Sou fã de Messi, defendo-o de qualquer um que conteste o seu futebol e afirmo categoricamente que ele tem tudo para se tornar uma lenda do esporte. Mas, para isso acontecer ele vai precisar jogar mais com a camisa da seleção argentina. Não precisa necessariamente ganhar uma copa, muitas lendas não ganharam, não precisa de títulos e celebrações, precisa jogar mais. Ronaldo nunca foi um grande ídolo para nenhum clube que atuou, sua maior identificação talvez tenha sido justamente com o Corinthians, clube que defendeu apenas em final de carreira, Ronaldo é uma lenda por ter sido sempre e incontestavelmente, um ídolo da seleção brasileira, um ídolo nacional, não havia convulsão em final de copa ou lesão no joelho que diminuísse a sua popularidade ou a torcida pela sua recuperação.
            Messi precisa despertar esse sentimento nos argentinos, os hermanos precisam ter gosto em dizer: oba, hoje tem jogo da seleção, vamos ver o Messi jogar, isso ainda não aconteceu, acontece freqüentemente uma desconfortável expectativa de vai ser dessa vez, é agora, etc. Messi, que não fez uma copa do mundo ruim, ainda não desencantou com a camisa da seleção, ontem, se escondeu em campo, foi salvo por Agüero e acabou eleito melhor em campo por seu nome. Messi, assim como todo o time da Argentina precisa melhorar significativamente para não se tornarem mais uma geração brilhante sem conquistas no país.
 Messi atribui tropeço na estreia a 'gol de m...' e evita desespero

Que fiasco Dorival

O Atlético Mineiro está perdido, o time perdeu o rumo, não se encontra, levou oito gols em dois jogos, fez um. Sofreu duas goleadas e vai enfrentar a pedreira do estádio PV no Ceará contra os donos da casa, possibilidade de nova goleada se levarmos em conta atuação semelhante as que acompanhamos contra Flamengo e Internacional.
            Para mim o grande nome desse momento atleticano é Dorival Junior, o técnico, com excelentes passagens por Vasco e Santos parece perdido, completamente incapaz de salvar o galo da situação. O fraquejo de Dorival no comando atleticano não é de agora, depois de dar novo ânimo e salvar o time mineiro do rebaixamento ano passado o time, cheio de (bons) reforços parecia iniciar o ano para sonhar com a ponta. No campeonato estadual seguidos tropeços contra as frágeis equipes do interior já deixaram o torcedor desconfiado, na decisão, prometendo título após vitória no primeiro jogo, uma partida horrorosa que só não acabou em goleada cruzeirense graças à repetitiva falta de pontaria do Cruzeiro de Cuca. O campeonato mineiro deixou evidente um Atlético muito irregular, que parecia melhorado após as duas boas e convincentes vitórias nas duas primeiras rodadas do nacional contra Atlético- PR e Avaí. Vitórias justamente contra os dois sacos de pancada desse inicio de brasileiro, veio uma aparentemente acidental derrota contra o São Paulo e um empate contra o Atlético- GO que passou a falsa ilusão de que o dragão goiano é que tinha um time acima do que tem, não é verdade, o Atlético (o mineiro mesmo) foi quem permitiu escapar dois pontos em casa contra um time sem muitos recursos, então as goleadas para Flamengo e Internacional que evidenciam, o Atlético não tem condição de permanecer onde está.
            Quando temos um bom time, bem montado com um craque jogando abaixo do esperado, a culpa é desse “craque”, mas quando temos um elenco cheio de opções interessantes, mas ninguém joga bem, a culpa é do treinador. Eu não acho absurdo a demissão de Dorival Junior, o treinador tem potencial e condição ou de reverte o quadro ou de fazer excelente trabalho pelo próximo time que assumir, mas no momento não dá. Depois de dois primeiros tempos lamentáveis contra Fla e Inter, Dorival demonstrando enorme insatisfação mexeu no time no intervalo nas duas oportunidades, a questão é que até ali o jogo estava 0 a 0, os quatro gols em cada jogo só vieram no segundo tempo das duas partidas, após as trocas do treinador. Covardemente, ao colocar o jovem e promissor Wendel no lugar de Dudu Cearense no intervalo contra o Inter, sacou-o aos catorze, repito, catorze minutos da segunda etapa, dando ao jovem a chance de atuar apenas esses catorze minutos sendo que nenhum gol ou jogada do Inter saiu de atos irresponsáveis ou falhas técnicas do rapaz. Insiste com um meio de campo sem jogadores de marcação com Serginho e Dudu como volantes, que saem bem pro jogo, tem técnica, mas não marcam ninguém, o Atlético precisa de um jogador esforçado e menos técnico que grude no traseiro de uma referência técnica do adversário e não o deixe jogar. Foi nesse vazio deixado pelo cabeça de área que Ronaldinho Gaucho e Oscar encontraram tanto espaço para brilharem como brilharam.
            Sempre defendo que a demissão de um treinador, já deve vir acompanhada da mira em outro, demitir sem saber quem trazer e ficar refém dos nomes (muitas vezes fracos) do mercado é uma atitude no mínimo irresponsável, antes de pensar em trocar o comando deve-se estar atento a quem está a disposição: Cuca é um bom nome e, quando se fala de Atlético, a repatriação de Levir Culpi é sempre tratada como possibilidade.
            Mas Dorival não foi demitido ainda e ao que parece não o será até o jogo contra o Ceará no meio de semana, é uma prova de fogo para esse que já estava com nome cotado para rol dos melhores treinadores do país, conseguir reerguer seu nome ainda comandando o Atlético será digno de elogios proporcionais as criticas que recebeu nesse post, a conferir.