Esse post é em solidariedade as vitimas do atentado ao futebol acontecido ontem em La Plata, de apoio àqueles que desperdiçaram duas horas de suas vidas e que pensam em exigir ressarcimento pelo desrespeito que sofreram. Se o Brasil tivesse perdido para a Venezuela e o time cor de vinho tivesse convencido que está mesmo em evolução e mostrado alguma bola eu poderia mudar o tom do primeiro parágrafo, mas não, a seleção brasileira empatou mesmo em 0 a 0 contra a mesma Venezuela de sempre, um time fraco e sem recursos.
Sim, eu não concordo com a teoria de que não há mais bobo no futebol, aliás cada dia temos mais bobos no futebol já que não é o crescimento da Venezuela (ou da Bolívia) que explica os resultados dessa primeira rodada, é sim a incompetência plena que apresentaram Argentina e Brasil nesses jogos iniciais.
Na linha do que disse Mauro Cezar Pereira, estávamos pasmos com o péssimo futebol argentino quando nos deparamos com um pior, o brasileiro. O Brasil conseguiu sem pior que os donos da casa.
Torcer pela seleção brasileira já se tornou uma atitude cansativa, chata e sem tesão, difícil apontar um sobrevivente que seja apaixonado por futebol e torça realmente pela seleção brasileira, conciliar essas duas coisas é difícil, para torcer pelo Brasil nos últimos cinco anos, no mínimo, é necessário estar disposto a acompanhar tragédias futebolísticas como a de ontem. A última vez que me lembro ter sentido gosto em ver o Brasil em campo foi na Copa das Confederações 2005 quando o quadrado de Ronaldinho, Robinho, Kaká e Adriano funcionou, o Brasil venceu e convenceu. De lá para cá tivemos a medonha participação brasileira na copa 2006 e a era Dunga, provavelmente o período mais negro da história da equipe canarinho. Mas mesmo antes de 2005 a trajetória brasileira já vinha problemática, as duas passagens de Parreira, embora vitoriosas estiveram longe de serem empolgantes e teve também os fiascos de Luxemburgo e Leão, mas vale poupá-los, o time não se acertou como era esperado.
Fica o luto, houve o tempo em que a seleção brasileira era desejada até por estrangeiros, todo mundo queria ver jogar o Pelé, o Garrincha, o Falcão, o Romário, o Ronaldo, falta isso hoje em dia. Considero as estréias de Ganso e Neymar absolutamente decepcionantes por causa disso, faltou serem o craque que anunciam ser, eles até estiveram acima do avoado Pato, do inoperante Robinho e do insulto que foi a partida de Ramires e Daniel Alves, além de André Santos, uma ofensa só em ser escalado. Defendo sempre o direito que cada treinador tem de ter preferências, quando ninguém é evidentemente superior ao outro, Mano tem o direito de optar por Pato ao invés dos meus preferidos Hulk e Nilmar, apesar do milanista nunca aproveitar as oportunidades que tem para “acontecer”, merece mais essa, a prova de fogo para vermos se vai ou racha. Mas Mano não tem o direito de escalar seu queridinho André Santos enquanto Marcelo estiver voando como está, aliás não tenho dúvidas que o jogador do Real Madrid não foi nem convocado porque Mano sabia a pressão que sofreria ao deixá-lo esquentando banco para seu amado.
Não quero começar a falar mal de Mano Meneses como fazia com Dunga, Mano não é tão desprezível quanto o ex -treinador, a questão é que entra ano, sai ano a seleção não dá gosto, sai treinador, entra treinador e o time segue não encantando, muito pelo contrário, segue decepcionando. Lógico então que a culpa não é de Mano Meneses, ele fez o que tinha de fazer, colocou o time pra frente, dois volantes que tem saída de bola, bom passe e qualidade, laterais que sobem muito, Ganso para ser o cérebro do meio campo, Robinho e Neymar abertos para o agora centroavante Pato. Não da pra acusar seu sistema de jogo, faltou alguém aproximar mais de Pato no meio da área já que ele jogou ilhado pela marcação venezuelana, a partida desastrosa de Ramires e dos laterais minaram a saída de bola da seleção, Robinho e Neymar tiveram que voltar para buscar jogo, acabaram isolando Pato na frente e pouco puderam fazer, pois quando precisavam tabelar com Daniel Alves e Andre Santos não recebiam nada de volta. A partida foi tão ruim que mesmo nem dá pra contestar o Pato ou crucificar o Andre Santos tanto quanto seria desejável já que dois dos piores jogadores foram justamente Daniel e Ramires, praticamente incontestáveis nas suas posições. Num jogo como esses fica difícil dizer que já chega de Robinho, como eu e milhares de brasileiros desejamos, já que o Lucas entrou e nada mudou, fica difícil defender ou condenar o sistema ofensivo ou defensivo já que o burocrático Elano entrou e novamente nada mudou. Aliás, o Brasil vinha minimamente pressionando (embora não transformasse isso em finalizações) no primeiro tempo, após as mudanças da etapa final o time só piorou e nos acréscimos do segundo tempo quem pressionou em busca de tirar o zero do placar foi justamente a Venezuela. Por isso não acho que Mano deva contestar suas preferências no momento, se é esse o time que ele quer escalar, se o brasileiro quer uma equipe jogando para frente então ótimo, repita a escalação, (eu preferia Lucas no lugar de Robinho), o Brasil não vai repetir uma atuação tão ruim nos próximos jogos, ate porque não tem jeito de ser pior do que foi. O time vai se encontrar e se a seleção já não é o que foi outrora sabemos, pelo menos, que esses jogadores sabem alguma coisa de futebol, muitos deles estão em crescimento e que dá pra esperar mais do que foi.
O que fia mesmo é apenas mais uma página manchada na história da seleção brasileira rumo ao completo ostracismo diante do povo brasileiro, com uma confederação que organiza amistosos bestas só pelo dinheiro, com jogadores que parecem jogar só pelo dinheiro, que são estrelas (usam cabelinhos para fazer moda, freqüentam a alta sociedade), mas não ídolos, que não criam identificação com a camisa dos clubes nacionais (muitas vezes nem com a dos estrangeiros), enfim, por uma lógica de mercado que constrói enormes espetáculos vazios. É assim no esporte, na música, no cinema, nas artes, em quase tudo. Estou pessimista.