sexta-feira, 29 de abril de 2011

As oitavas da Libertadores

            Oitavas de final da Copa Libertadores, o campeonato começa a se afunilar mas já deixa, de certa forma, um pouco claro quem está ou não na disputa. O Cruzeiro é, evidentemente, o principal time da competição até o momento com apenas dois pontos perdidos ao empatar com o Tolima na Colômbia, quarta, no mesmo país, derrotou o Once Caldas e deixou muito bem encaminhada sua classificação para a próxima fase da competição. Não foi um jogo como os cruzeirenses se acostumaram esse ano, tranqüilo, com goleada, muito pelo contrario, foi difícil, o time mineiro sofreu pressão na maior parte do tempo, mas quando a fase é boa a bola entra até em dia ruim e foi o que aconteceu, 2 a 1 para o Cruzeiro, Wallyson é agora o artilheiro da Libertadores, a equipe tem a vantagem de ter feito dois gols fora de casa e pode até perder por 1 a 0 em Sete Lagoas, mas não perderá, deverá vencer e com tranqüilidade, o Cruzeiro tem surpreendido, mas o Once Caldas definitivamente não é páreo para o time azul.
            O Santos, que venceu o América- MEX por 1 a 0 na Vila Belmiro é páreo, tanto para o Cruzeiro, quanto para qualquer um,  a confusão do começo do ano atrapalhou o time que custou a obter sua classificação, agora que obteve, agora que Ganso está jogando e com Muricy Ramalho no banco de reservas o peixe vem com tudo, no estadual e na Libertadores, a vantagem contra os mexicanos não é grande, mas é boa até porque o time não sofreu gol na vila, fez apenas um, golaço de Ganso chutando de fora, deve seguir pra Europa mas enquanto estiver aqui merece o apoio da torcida santista, é peça fundamental na possibilidade do retorno ao topo do continente. Se passar pelo América deve enfrentar o Cruzeiro, jogaço imperdível, quem passar nesse duelo assume grande favoritismo na briga pelo título.
            Outro grande atrativo dessas oitavas era a possibilidade de formação de um gre-nal na próxima fase, ficou difícil de acontecer, o Inter até foi bem arrancando um empate contra o dedicado Peñarol em pleno histórico estádio Centenário, o técnico Falcão errou ao tirar Oscar do time, mesmo inexperiente o meia é melhor que Andrezinho ou Rafael Sóbis, sua entrada no segundo tempo melhorou, foi dele o passe para que Leandro Damião arriscasse de fora da área, contasse com desvio na defesa e empatasse o jogo. Fala-se muito na abissal queda de rendimento de Keirrisson, hoje no Santos, para os tempos de Coritiba e Palmeiras, mas Rafael Sóbis é igualmente impressionante, de destaque do primeiro título colorado, o atacante é hoje, no máximo, uma opção que não é das melhores para que o colorado tente a conquista pela terceira vez. Se o Inter tem tudo pra chegar as quartas, quem deve faltar ao gre-nal é o Grêmio, derrotado em casa pelo Universidad Católica, os chilenos foram superiores em quase todo o jogo e merecerem a vitória, o resultado que já é complicado demais torna-se pior pelo futebol que o Grêmio está jogando, se outro time precisasse ir ao Chile e vencer pela diferença de dois gols, seria difícil, mas não impossível, para o Grêmio sim, o time é desorganizado demais, Renato Gaucho parece ter perdido completamente o comando sobre a equipe, ontem Carlos Alberto, que até vinha se esforçando foi demitido após três meses, as referências em campo ficam isoladas, se Fábio Rochenback e Douglas não resolverem sozinhos, ninguém o faz e não são jogadores com nível para carregar um time nas costas, se esforçam, Douglas ainda fez o gol que dá alguma esperança ao tricolor, mas não vão conseguir. Se jogar qualquer coisa semelhante ao que jogou na quarta o adeus do Grêmio à essa edição de Libertadores será melancólico. Enquanto isso, os chilenos, organizados e letais, em minha opinião até perderam a possibilidade de garantir a vaga já no Olímpico, ficaram muito atrás esperando apenas as possibilidades de contra ataque, tivessem assumido uma postura um pouco mais agressiva ao perceber a completa desordem gremista, poderiam ter aplicado ainda mais golpes, talvez fatais.
            Ontem, depois de um apagão o Fluminense milagrosamente iniciou sua caminhada no mata -mata, foi um milagre mesmo o feito de estar nessa fase da competição. E começaram vencendo, fizeram 3 a 1 no Libertad e abriram vantagem interessante, embora um 2 a 0 fosse muito melhor, o Fluminense não teria sofrido gol não fosse um completo apagão do time na volta do intervalo e uma falha terrível de Ricardo Berna, sempre oscilante, que saiu, mas não saiu do gol deixando a meta livre para receber uma bola cabeceada por Gamarra, muito bom atacante que deveria gerar interesse nos principais clubes do Brasil.
            Fora o Grêmio, os times brasileiros tem tudo para chegas as quartas, seriam quatro, metade do certame, mas é sempre bom ficar de olho, o Cerro Porteño empatou sem gols na Argentina contra o Estudiantes e deve vencer no Paraguai, é muito candidato na minha opinião, o baixinho Iturbe é bom de bola e quando entra no jogo, em geral na etapa final, inferniza qualquer defesa. O próprio Universidad Católica é muito bem organizado, sabe neutralizar ataques e partir em velocidade, quando necessita de um gol, se joga inteiro e consegue o feito, foi assim na primeira fase contra o Velez, que goleou a LDU por 3 a 0, já classificado? Não, na altitude de quito os equatorianos costumam aplicar impiedosas goleadas, esse jogo ainda vai render e quem se classificar merece muita, mas muita atenção. Há também o Júnior Barranquilla, que deve passar pelo Jaguares, mas que eu não incluo na lista de possíveis campeões, pode atrapalhar algum candidato mas encontrará seu momento, até agora só encontrou pela frente adversários aquém do objetivo de conquistar o título, como o Grêmio por exemplo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Semifinais na Europa

            O grande destaque é mesmo Real Madrid e Barcelona, mas preciso também falar sobre Schalke 04 e Manchester United, prova clara da superioridade dos ingleses, o Schalke está de parabéns e merece reconhecimento ao ter chegado até aqui e ter o gostinho de participar de uma festa em que os outros convidados são justamente os times mais poderosos do planeta no momento. Eu já falei aqui que não esperava uma temporada tão regular do Manchester e é justamente num momento em que o elenco parece enfraquecido e as alternativas parecem escassas que o time cresce, além de já ter praticamente garantido o título inglês, também está muitíssimo bem encaminhado para a final no estádio Wembley, onde provavelmente jogará com mais apoio do que Real ou Barcelona, o Manchester pode surpreender. O jogo entre as duas equipes marcou Giggs como o jogador mais velho a marcar um gol na liga e Rooney como indiscutivelmente o craque dessa equipe, deu um passe sensacional pro gol do galês e fez o seu, Giggs, uma lenda viva parecia já a mais de uma temporada apenas fazer número, compor elenco, fazer o seu sem se preocupar tanto com a responsabilidade, mas bastou o Manchester precisar de um jogador diferenciado que ele emplacou, está fazendo uma excelente temporada e não é apenas um veterano no elenco, hoje é titular e inclusive deixa, as vezes, como ontem, Nani no banco, outro dos jogadores que se destacou na temporada. A receita do Manchester como já falei é simples, um técnico que comanda de verdade o time e jogadores que fazem sua parte, Van der Sar defende, Vidic, Ferdinand e Carrick desarmam, Nani e Giggs armam e Rooney, Chicharito e Berbatov arrematam, nenhum deles é espetacular? Todos fazem o seu bem feito. Não fosse o goleiro Neuer, que deve desembarcar em Manchester em Julho, seria uma goleada elástica, mas o 2 a 0 na Alemanha é suficiente para o Manchester se considerar na final.
            Em Madri, a sequência de clássicos continuou com vitória do Barcelona no momento em que mais interessava, natural, o Barcelona é melhor do que o Real e o choro de Mourinho só serve para que seu papel no confronto acabe sendo mais ridículo, tudo bem que ele conseguiu fechar os espaços e praticamente anulou Messi durante praticamente todo o jogo, Xavi tinha dificuldade com Pepe mas estava realmente num dia muito feliz e o Barça ainda contava com a ausência de Iniesta que dificultava a criação de espaços no meio de campo, pela lógica que Mourinho conseguiu impor seria um jogo a ser decidido numa jogada isolada, num pequeno equivoco, e foi, já que Mascherano e Busquets que se alternam a cada jogo na zaga ou na proteção à mesma também protegiam coma  vida suas retaguardas, ontem o argentino foi zagueiro, eu sou simplesmente fã do estilo de jogo dele, mas acho que ele mesmo está se deixando levar por uma impressão que foi imposta a ele na Europa, a de jogador violento, jogando por aqui ou na seleção Mascherano sempre foi um dos volantes mais firmes, um exemplo claro do cão de guarda, na Europa, é associado a jogadores violentos como Pepe, Felipe Melo e De Jong, que, na minha visão não são bons jogadores, mas açougueiros sedentos por sangue alheio, Mascherano não é ou não precisa ser assim, embora esteja se limitando a isso, olhem Puyol, que ontem fez toda a diferença voltando ao time, é raçudo e absolutamente firme sem precisar arrancar as canelas adversárias correndo o risco de ele próprio deixar seu time com um jogador a menos.
            Foi o que fez Pepe, fazendo valer a risca o que seu treinador determinou, de que o jogo seria decidido no detalhe do erro e do acerto, Pepe errou ao entrar em Daniel Alves daquela maneira e acabou sendo expulso, eu confesso que se fosse o juiz daria cartão amarelo até por que Daniel Alves valoriza demais, mas o cartão vermelho não foi um erro. A partir dali a proteção a Xavi ficou comprometida e ele deitou e rolou, a primeira rolada foi para Affelay (muito superior a Pedro), que ganhou a primeira de Marcelo, o jovem espanhol tinha perdido todas, e rolou para Messi aparecer na área. Até ali, Marcelo era soberano no combate e apenas Villa levava alguma vantagem sobre a marcação, até pelo fato de Arbeloa não ser limitado, é ruim mesmo.  
            A vantagem não mudou a postura dos jogadores em campo, o Real não saiu desesperado e talvez tenha pensado que poderia decidir no Camp Nou, mas Messi tratou de impedir isso, tabelou com Busquets e arrancou sozinho no meio de cinco jogadores do Real, não havia nem a hipótese de tocar pro lado pois ninguém o acompanhou, não tinha problema, ele avançou, tirou os zagueiros e o lateral Marcelo para tocar de direita.
            Messi merece um parágrafo a parte, para mim, hoje mesmo, já divide tranqüilo o posto de melhor jogador que vi junto a Zidane e Ronaldo e nem precisa da sua copa para isso, se vier a ganhar o título máximo do futebol, ultrapassará em léguas os dois citados e será comparado mesmo ao primeiríssimo escalão de todos os tempos, Messi é demais, duas finalizações, dois gols, duas oportunidades de se destacar e jogo resolvido, idiota até a comparação com Cristiano Ronaldo, outro excelente jogador, mas sinto muito, perto de Messi é um peixinho fora da água, tão sumido no jogo quanto o argentino, não teve mesmo a competência de ser decisivo, de numa única bola aparecer e resolver e olha que teve a oportunidade da bola parada, tendo batido incrivelmente mal duas faltas que poderiam ser decisivas. Pensei muito para achar atuações como a de Messi ontem e, das que eu vi, só me lembrei de uma superior, o mesmo Barcelona, contra o mesmo Real no mesmo Santiago Bernabeu, mas com Ronaldinho Gaucho dessa vez fazendo os madrilistas se levantarem para aplaudir.
            O saldo do jogo é um Barcelona quase na final, o time de Guardiola, que tem por característica a paciência na troca de passes até encontrar o espaço que precisa, descobriu nessa sequência de jogos contra o Real a paciência de não conseguir impor seu jogo todas as vezes e fechar o jogo esperando a oportunidade do bote. No Real, Mourinho não foi mal, a exceção das declarações pós jogo e conseguiu sim fechar o jogo e não deixar o Barça jogar como está acostumado, no primeiro tempo 70% de posse de bola para o time catalão, mas o jogo aconteceu quase todo no campo de defesa deles, no ataque do Real, Di Maria levou ampla vantagem no duelo com Daniel Alves, forçando o lateral brasileiro a quase que exclusivamente marcá-lo, anulando uma das armas ofensivas do Barcelona, sem contar que Daniel é muito melhor na frente do que atrás e o magrelo argentino poderia ter provocado a expulsão dele a qualquer momento, acabou não dando certo, um pouco porquê Pepe foi mais afobado que Mascherano, um pouco porque Messi foi quem decidiu ao invés de Cristiano Ronaldo, Mourinho não precisa chorar, não precisa achar que Guardiola é mais técnico que ele ou qualquer outra coisa, foi um caso claro de um técnico que fez sua parte, mas de fato, em campo, os jogadores do rival foram melhores. Barcelona e Manchester ficam com a mão e alguns dedos na final.
            Hoje tem mais semifinal pela Europa, duelo de arrepiar entre Porto e Villareal, em campo dois dos melhores atacantes brasileiros no momento, Hulk pelos portugueses, Nilmar pelos espanhóis, do confronto sai o favorito na decisão, mas do outro lado tem o Benfica que vai quer encardir e tem condições pra isso, se Porto e Villareal é um jogo imprevisível, os dragões vermelhos são muito favoritos contra o Braga, mas não o serão na final, para mim, embora o Benfica seja um bom time, o virtual campeão saira do duelo Hulk e Nilmar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Semifinais pelo Brasil

Minas Gerais: O Cruzeiro não só garantiu uma vaga na final, como, de certa forma provocou o rival que havia vencido o mesmo América de Teófilo Otoni por 7 a 1, foi como um recado, não há nada que o Atlético faça que eu não possa fazer também, foram impiedosos 8 a 1 com direito a um verdadeiro show de Montillo, autor de três gols, um deles um golaço e outro belo gol de Gilberto após uma troca de passes que exemplifica o conceito perdido de futebol arte. Não há dúvidas, o Cruzeiro sobra nesse primeiro semestre e é o principal clube brasileiro no momento, não há outro clube que jogue o futebol plástico e eficiente dos mineiros, aliás, nem perto disso, o Cruzeiro só não sobrou contra o chato Tolima e o Atlético, ao que tudo indica, já que abriu boa vantagem contra o América-MG e venceu por 3 a 1, o galo parece ter reencontrado os trilhos da era Dorival Junior e, se confirmar a vaga na decisão pode fazer frente ao Cruzeiro, não é tão bom quanto a raposa, nem de perto, aliás, ninguém no Brasil o é até agora, mas vocês sabem, clássico é clássico e vice versa. Os cruzeirenses anseiam pelo confronto contra o galo torcendo para mais uma vez levantarem o caneco mineiro com uma impiedosa goleada sobre o rival e o atleticano deve até perder o sono pensando nisso.

São Paulo: Todos os grandes venceram e farão as semifinais do estadual, Santos e São Paulo, Palmeiras e Corinthians, fato raro, mais raro em São Paulo do que no Rio, por exemplo, facilmente explicado pelo abismo existente entre o interior paulista e fluminense. Nenhum dos quatro venceu com facilidade, aliás, todos sofreram, o São Paulo ainda conseguiu placar um pouco mais elástico, mas contou com participação inspirada de Rogério Ceni para evitar um gol da Portuguesa que não seria desmerecido, no mais apenas vitórias magras. O Santos vai tentar diante do São Paulo a afirmação da era Muricy, chegar a final não vai ser um infortúnio na Libertadores, mas a confiança que o time precisa e tinha perdido antes da chegada do treinador, para o São Paulo o estadual deixou de ser paulistinha e é importante vencê-lo pois os resultados dos últimos anos não mais permitem ao São Paulo a postura esnobe de outrora. Agora ninguém precisa mais vencer esse campeonato que Palmeiras e Corinthians, a certeza de que, se não vencerem, algum rival o fará é ainda mais impiedosa, o Palmeiras pelo jejum recente e a demonstração, que surpreendeu até os palmeirenses de que o título é sim possível, já o Corinthians salvaria não apenas o semestre, mas traria um título no centenário inventado por Ronaldo, após passar em branco o ano histórico e começar o seguinte com um vexame para um Tolima, já eliminado da Libertadores, os corintianos querem o gostinho de um caneco e de se vingarem dos rivais secadores com a possibilidade de dizer: e você, o que ganhou?  Vai ser imperdível e deve sair fogo dos dois jogos.

Rio de Janeiro e Rio Grande do sul: Serão comentados juntos porque vivem situação muito semelhante, Flamengo e Grêmio já eram campeões de turno, chegaram á decisão do segundo turno contra o maior rival, que vai tentar transformar 90 minutos em 270 para “roubarem” a taça. O que Internacional e Vasco tentarão fazer é o papel de azarão, estão em clara desvantagem, principalmente por uma estatística, qual a probabilidade de um clube vencer três clássicos seguidos? Até por isso eu acredito que é mais fácil de prever e menos imperdível que as semifinais dos estaduais citados acima, não apostei nem em Cruzeiro e Atlético onde a diferença entre os times é grande, mas aposto aqui, Flamengo e Grêmio serão os campeões carioca e gaúcho respectivamente. O Flamengo pra mim leva ainda mais vantagem, está invicto e não vai deixar esse número cair mais de uma vez, ainda mais numa sequência de três jogos contra o maior rival e se o Vasco não vencer terá de enfrentar decisão por pênaltis onde o Flamengo parece ser imbatível, ontem foi mais uma demonstração disso, o Fluminense, superior como time nos 90 minutos não conseguiu fazer o resultado e teve de enfrentar as penalidades, o Flamengo papou. Na minha opinião o Vasco deve sim acabar jogando melhor que o Flamengo nessa ou nessas decisões, até porque não é difícil jogar melhor do que o Flamengo vem jogando, difícil é fazer resultado melhor do que o Flamengo vem fazendo, Thiago Neves tem resolvido o problema de um time que joga para o gasto e tudo isso torna, para mim, o Flamengo favorito. Para o Vasco fica a redenção de, depois de ter sido chacota e candidato a rebaixamento, ser o único time capaz de tirar o título do Fla, se não der certo no carioca, tem a Copa do Brasil onde o Vasco é sim, mais candidato que os rubro negros.
            No sul o gre-nal é disputado demais, parelho demais, numa sequência de três jogos, é natural demais que cada time vença um e outro fique empatado, elenco por elenco o do Inter é muito melhor, a fase de Leandro Damião e Bollati autores de dois golaços na vitória de ontem sobre o Juventude demonstram isso, mas o Grêmio vai encardir o clássico como sempre faz.

Paraná: Nada de semifinais, o Coritiba já é campeão estadual, o primeiro do Brasil ao lado do Cuiabá em Mato Grosso, o coxa sobrou nesse campeonato, mais de 96% de aproveitamento e o alcance da maior sequência de vitórias que o futebol brasileiro já viu, 21, alcançadas ontem justamente contra o rival Atlético- PR, justamente o jogo do título e justamente numa goleada, 3 a 0. O Coritiba é o único time do Brasil que alia resultados e futebol tão bem quanto o Cruzeiro, embora eu ainda ache os mineiros melhores por mostrarem o mesmo também na Libertadores, o estadual foi barbada, agora o Coritiba se concentra em convencer aqueles que desdenham da possibilidade de o time conquistar algo em cenário nacional de que pode sim, vem aí duelo contra o Palmeiras na Copa do Brasil.

Pernambuco: O estadual mais charmoso do Brasil fica ainda mais elegante com Santa Cruz, Sport e Náutico competindo em pé de igualdade por um título, o Santa Cruz, que por ter sido o melhor da primeira fase enfrenta o Porto deverá estar na final, Sport e Náutico fazem um confronto de arrepiar ontem o Leão levou a melhor, mas o Náutico só precisa devolver a derrota para carimbar a vaga. O pernambucano tem a maior média de público de todos os estaduais e finalmente, o futebol que se espera dele, os trio de ferro é candidato a subir de divisão no nacional, para isso, precisaremos saber quem vai inaugurar o sonho embalado pela conquista do estado.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os confrontos Barcelona e Real e os anti retranqueiros

Não dá pra passar batido pelos confrontos entre Barcelona e Real nas próximas semanas, sensacionais até pelo fato de estarem organizados de maneira crescente em emoção, primeiro aconteceu pelo campeonato espanhol valendo nada ou pouquíssima coisa, hoje pela copa do rei, vale um título, mas que nenhum torcedor vai rançar os cabelos se não ganhar, por fim os dois jogos pela Liga dos Campeões, esses sim ferozes onde vamos ver ambos os times tentando aquilo que tem de melhor.
            Como a rivalidade entre os dois clubes se tornou internacional, surgem no Brasil os mais diversos comentários, simpáticos ou contrários a cada um dos times, odiando ou adorando Mourinho, Messi, esse ou aquele. Eu ainda acho impressionante que alguém consiga contestar esse Barcelona ou o trabalho de José Mourinho, já acho terrível ouvir aqueles que dizem que técnicos são supervalorizados e que quem ganha ou perde são (só) os jogadores, ou aqueles que atribuem retranqueiro como um adjetivo de eliminação de quaisquer méritos que um treinador tenha.
            José Mourinho é retranqueiro? As vezes sim, pela necessidade das circunstâncias, é difícil não ser retranqueiro contra o Barcelona atualmente, principalmente para quem pretende vencê-los, deixar Messi e Xavi soltos é a receita para assistirmos um belíssimo futebol, cheio de gols e possivelmente goleadas históricas... Para o Barcelona e Mourinho obviamente não pode se contentar com isso. O Real Madrid andou sendo goleado pelo Barcelona justamente porque quis jogar de igual para igual e não há jogo de igual para igual contra o Barcelona, o time catalão É SUPERIOR. Como era superior à Internazionale que os eliminou graças ao trabalho de Mourinho, ou alguém imagina a Inter de Leonardo vencendo o Barça? Imagina o Schalke goleando a Inter de Mourinho?
            Concordo apenas com quem diga que do outro lado do “Real de Mourinho” há o “Barcelona de Guardiola”, o técnico catalão também merece destaque justamente por formar uma das equipes mais exemplares dos últimos anos ou décadas, a seleção do país se baseou nela para jogar (e vencer) a Copa do Mundo. Da mesma maneira que acho o Barcelona fantástico e praticamente imbatível, acho que o esquema de jogo de Guardiola não é nada além de uma retranca disfarçada, ao invés da marcação atrás do meio de campo é feito a mesma coisa no campo do adversário e quando tem a posse de bola, sono. Sim, sono, o jogo de toque de bola exagerado do Barcelona as vezes chega a dar sono, escrevi sobre isso num posto alguns dias atrás, o Barcelona valoriza a posse de bola e toca de um lado para outro numa calma irritante, as vezes num preciosismo bobo e, jogando assim, dessa maneira que eu considero absolutamente sonolenta, é o time de maior destaque dos últimos dez anos. Não discordo que o Barcelona seja um timaço quase invencível, até porque concordo que se Mourinho quiser jogar de igual para igual, vai levar outra goleada, mas acho o jogo do Barcelona absolutamente sonolento, muito ao contrário dos que pensam que Barcelona e Espanha são exemplos perfeitos de futebol arte. Não são.
            Na contramão, também não ignoro que Mourinho use esquemas muito defensivos em alguns grandes jogos, mas aplaudo a capacidade sensacional que ele tem de fazer seus esquemas se transformarem em resultados, coisa que todos os técnicos do planeta, retranqueiros ou não fazem, nunca conseguindo. Nos últimos anos só Guardiola e o seu Barcelona, a “retranca” de Mourinho e o jogo de aplicação máxima de Alex Ferguson conquistaram, de fato, destaque no mundo esportivo.
            Não dá para ignorar o poder que os técnicos têm no futebol moderno, uma demissão não é mais preciosismo ou falta de planejamento, é necessidade de resultados de um futebol moderno e competitivo como o próprio mundo do trabalho. Mourinho conseguiu com a Inter o que nem Rafa Benitez, nem Leonardo conseguiram e já levou o real mais longe do que tantos técnicos tentaram. Seus times não são retranqueiros, são competitivos, é diferente, por exemplo, do “dunguismo”, o x treinador da seleção brasileira abdicava dos jogadores de maior talento na clara opção por aqueles de maior obediência tática e funcionalidade técnica, acho que Dunga sim ofendeu os torcedores brasileiros com sua maneira de armar a seleção, enchendo o time com Felipe Melo, Josué, Elano, Gilberto Silva, Julio Batista, jogadores simplesmente funcionais que pouco acrescentavam criativamente ao time e tornavam o jogo amarrado e péssimo. Mourinho não o faz, o que deve acontecer é dar uma função tática aos craques do time justamente por saber o óbvio, eles precisam ter a bola para desequilibrar. Também não condeno Muricy ou Felipão, Muricy pegou um time do São Paulo muitíssimo limitado do meio de campo para frente e o tornou campeão por três anos seguidos, nenhum outro técnico o faria com jogadores como Dagoberto, Borges, Aloizio, Jorge Wagner, Richarlysson e o próprio Hernanes, excelente jogador, mas que nunca confirmou seu cacoete de genial. Felipão pegou um Palmeiras totalmente desacreditado, precisando de peças e quase sem poder contar com Valdivia e o tornou competitivo o suficiente para sonhar com qualquer título que dispute, o que deveriam fazer? Não serem retranqueiros e assistirem passivos a derrota de suas equipes? Parreira sempre teve uma filosofia para seus times de futebol, posse de bola, futebol é ter a bola e tocá-la de pé em pé até que ela possa ser arrematada ao gol, não é exatamente o que o Barcelona faz? Porque o Barcelona é genial e Parreira apenas um técnico retranqueiro? Não gosto do Parreira porque para mim ele tem ume estilo de jogo tão chato quanto o do Barcelona e da seleção espanhola e gosto de Mourinho porquê ele sabe fazer o inferior virar superior dentro de campo, independente das armas que precise usar, um time retranqueiro é um time que só sabe jogar de um jeito, onde não há improviso nem plasticidade, não era o caso da Inter, não é o caso do Real.
            Alguém pode querer me atacar de torcedor do Real aqui, mas muito pelo contrário, caso eu torça para alguém nesses confrontos, CASO EU TORÇA, será pro Barcelona e única e exclusivamente por causa do Messi.
             Agora tendo passado o marasmo do confronto pelo campeonato espanhol, as três disputas seguintes deverão ser de primeira cm uma receita bem simples, o Barcelona vai impor seu jogo como sempre faz e Mourinho será obrigado a marcar e marcará porque quer vencer, o Real tem peças para sufocar o toque de bola catalão e puxar contra ataques mortais assim como o Barcelona tem qualidade para furar o bloqueio merengue e vencer, o toque de bola é repetitivo até que a bola chegue ao pé de Messi ou Xavi, o espanhol resolve com um passe bem feito, o argentino desequilibra sem nem precisar tocar para outro em alguns momentos, Cristiano Ronaldo, Ozil e DiMaria para desespero dos anti retranqueiros terão funções táticas muito bem definidas em campo, porque, para desequilibrarem, como podem, eles vão precisar ter a bola nos pés em algum momento do jogo, não adianta que pensem apenas em ir pra frente aguardando que por mágica a bola venha parar em seus pés, isso seria condenar o Real a jogar com jogadores a menos mais uma vez, como sempre tem acontecido, de maneira justa aliás, a expulsão de Albiol foi justíssima.
            Prever um resultado é a missão impossível, fazer isso em qualquer clássico já é difícil, num Barcelona e Real nos dias de hoje é ainda pior, esqueçam.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ganso e o deslumbramento

Paro, confuso, para escrever sobre a novela Paulo Henrique Ganso no Santos, ou não mais no Santos pelo que revelam, que eu simplesmente desprezo esse tipo de comportamento é verdade, que eu adoraria escrever linhas e linhas sobre como Ganso, o grupo Sonda e talvez até o próprio Ronaldo fenômeno são mau caráter, condenar, julgar, apontar, esculachar.
            Não vou fazer isso, preferi deixar de lado meus juízos de valor e analisar a situação concretamente. Desde os primeiros passos da dupla Neymar e Ganso no Santos muito se falou num possível deslumbramento, sobre atitudes desnecessárias (como o chapéu de Neymar em Chicão sem bola em jogo), ou atitudes polêmicas (como Neymar forçar a demissão de Dorival Júnior no Santos por tentar lhe impor disciplina), sempre o nome de Neymar estava mais associado ao encantamento com a fama, à arrogância e aos problemas disciplinares, receita certa para estragar um jogador de potencial, Ganso, pelo contrário, era tido como garoto seguro, quando contestava era por uma boa razão (como ao se negar sair na final do paulistão), era um jogador até mais objetivo e enquanto dizíamos que Neymar tinha muito futuro, a hipótese é que Ganso seria um dos grandes gênios da história do futebol. Numa reportagem muito feliz, a revista ESPN analisou o quanto Ganso se valorizou enquanto esteve machucado, a queda de rendimento do Santos, o desempenho fraco de Hernanes, Douglas, Renato Augusto e Jadson na seleção, somado à ausência de Kaká tornavam Ganso a bola da vez para a camisa 10, o grande candidato a craque de 2014 e enquanto fazia fisioterapia Ganso iniciou a renovação de contrato com o peixe buscando um aumento salarial que até aquele momento parecia muito justo.
            Pois eis que o jogador que se valorizou sem precisar jogar recebeu a informação de que clubes europeus estariam interessados em tê-lo já agora no meio do ano e, não tenham dúvida, se deslumbrou. Eu defendo constantemente que não é mais orgulho para alguém jogar na Europa do que em outro lugar, no dia em que os clubes canadenses começarem a pagar mais, todo mundo vai querer jogar no Canadá, esse fenômeno já é visível com o Oriente Médio. Ganso recebe um salário nada extraordinário para um jogador, ainda mais um jogador do seu porte, a possibilidade de milhões de euros por ano no velho continente devem mesmo ter mexido muito com ele que se deixou levar pelas aparências e pelo imediatismo da maioria dos jovens.
            Não quero ser taxado de romântico pelo leitor, eu, claro, adoraria viver num mundo em que identificação com uma camisa fosse o que de mais especial um jogador poderia ter na vida, que algumas dezenas de milhares para quem já ganha centenas de milhares não fosse um diferencial muito grande, mas eu entendo que o mundo não é assim. Os jogadores querem dinheiro e é natural que seu destino seja a Europa ou as Arábias, mas permitirei não concordar com a postura do Ganso por algumas razões.
            Em primeiro lugar para merecer ganhar os milhões que acha que merece e ter os privilégios que tanto deseja Ganso precisa jogar bola, enquanto polêmica vai e vem o rendimento do jogador nas últimas partidas do Santos é pífio, Ganso dá uma de Vampeta e finge jogar enquanto tenta, o mais rápido possível fugir das garras da cartolagem santista. Ganso não rendeu em 2011 nada que lhe valha sequer um convocação para a seleção brasileira, os próprios investidores que desejam vende-lo logo e faturar começam a ter dúvida se o jogador tem realmente espaço nos principais clubes europeus, ou seja, enquanto trava um briga ridícula o futebol de PH perde espaço e o jogador, que calado e jogando bola poderia se valorizar mais e mais, perde valor de mercado, poderia ser vendido nos próximos anos pelo quíntuplo do que valerá na próxima janela européia, o próprio grupo Sonda sai perdendo querendo vender logo por um valor menor.
            Em segundo lugar Ganso precisa pensar no futuro, ele ainda é garoto e tem toda a carreira pela frente por um clube qualquer e pela seleção, se for o caso, eu penso, imaginando os jogadores mais valorizados e de melhor rendimento no planta atualmente que Ganso está cavando a própria cova como disse Robinho recentemente: “não cometa o mesmo erro que eu”.
            Robinho era um garoto de tanto potencial e capacidade quanto Ganso, aos 20 anos já tinha sido o principal jogador do Santos na conquista de dois campeonatos brasileiros e na chegada a uma final de Libertadores, feitos que não aconteciam desde Pelé. Robinho forçou sua saída do Santos, deslumbrado pela possibilidade jogar no galáctico Real Madrid, na Espanha, apesar de eu achar que jogou bem o eterno garoto nunca se firmou e foi parar no Manchester City onde nada rendeu, agora tenta uma volta por cima no Milan onde tem feito bons jogos, mas já circundando os 27 anos Robinho não é mais um menino, ou pelo menos não deveria ser e parece que até hoje não mostrou a que veio para o futebol, é um jogador bom, nada além disso.
            Dos vencedores do prêmio de melhor do mundo na última década e entre os principais candidatos que não ganharam, apenas Ronaldinho Gaúcho teve história semelhante de dar um chapéu no próprio clube, o Grêmio, para jogar na Europa, não me espanta também a clareza que temos hoje, com Ronaldinho de volta ao futebol brasileiro, de que ele não foi metade do que poderia ter sido. Messi, Cristiano Ronaldo, Raúl, Kaká, Henry, Shevchenko, Iniesta, Xavi, Cannavaro, entre outros, todos criaram uma relação de fidelidade e amor com um clube específico, não da pra ficar citando aqui, mas se analisarmos todos esse jogadores, mesmo quando envolvidos numa negociação foram absolutamente respeitosos com o clube que deixaram ou para o que foram, recentemente o Manchester City fez propostas milionárias por Kaká e Iniesta, pensando na carreira, ambos recusaram, Kaká errou ao ir pro Real Madrid, mas o negócio, quando saiu era de mais interesse do Milan do que do próprio jogador, assim como na transferência de Henry para o Barcelona ou Cristiano Ronaldo, o polêmico e playboy português do Manchester pro Real.
            O respeito a um clube e a uma torcida, o pensamento de longo prazo e o planejamento de carreira são tão fundamentais para um jogador atualmente quanto a própria capacidade em saber jogar bola, caso contrário o jogador se torna uma promessa desperdiçada, mais contido nas entrevistas, sem se achar o rei do mundo, Neymar parece ter entendido isso e aceitou ficar no Santos, se tornar ídolo do clube e deixar que sua transferência para a Europa aconteça de maneira natural, o próprio craque já disse, gostaria de permanecer, mas não descarto uma negociação,  é o ciclo das coisas que Ganso parece não ter entendido, hoje, nem vejo mais muitas condições de o jogador permanecer na Vila Belmiro, tendo despertado a ira dos santistas pode passar alguns meses em outro clube, sem a certeza de que jogará o mesmo futebol e sumir na Europa, como fez Robinho. Ganso é o projeto de um craque colossal, como outros foram, mas seria interessante para ele mesmo que deixasse de achar que já o é e pensasse em se tornar esse jogador que ele pensa ser.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O ídolo treinador

O Inter apresentou Falcão como novo técnico do Inter. Num post de meio de semana eu dizia que o grande problema do Inter era a falta de um grande treinador já que Celso Roth definitivamente não o é. Não se sabe se Falcão é ou não é um grande treinador, na primeira tentativa do maior ídolo colorado nesse cargo ele fracassou tanto no Inter quanto na seleção brasileira, contudo, acho que a aposta da diretoria colorada foi boa em primeiro lugar por se trata de uma aposta.
            O Inter perde seu treinador justamente na semana em que o Santos finalmente fechou com Muricy Ramalho, o atual campeão brasileiro é o sonho dos cartolas colorados, todo mundo sabe disso, mas dessa vez novamente não deu, fora ele não há nenhum nome no mercado de peso, que valha grande aposta, já que Joel Santana é figura mais que “non grata” pelos lados do Beira Rio, tendo que apostar o Inter seguiu a linha que algumas seleções e o próprio rival tomaram, a de colocar um ex jogador, ídolo, no cargo.
            A diferença é que Renato Gaucho chegou ao Grêmio com algum currículo como jogador, Facão chega ao Inter após quase duas décadas da sua experiência frustrada no banco de reservas, mas para mim, pode dar certo.
            Pode dar certo porque ele é ídolo, a torcida vai apoiá-lo e perdoará eventuais erros desde que não sejam freqüentes, o elenco do Inter é muito bom e ele terá opções para trabalhar, testar e mudar, Falcão, ao contrário de outro ídolo colorado que podia pintar (Dunga), é representante claro do futebol arte, foi o melhor jogador da geração 1982 e o destaque do Brasil naquela copa em que a seleção canarinho encantou o mundo com seu futebol o que pode gerar simpatia da imprensa pelo Inter atual, além disso Falcão não treinava, mas foi o principal comentarista da Rede Globo nesse período, acompanhou de perto copas do mundo, a década brilhante do Inter e amadureceu seus conhecimentos sobre o jogo estando de fora do gramado (porque dentro dele não era necessária aprimoração). Ou seja, o Inter atual é outro, o próprio Falcão é outro e essa aposta já deu certo outras vezes em outros times, achei a aposta bem feita, é melhor do que esperar meses por um possível retorno de Abel Braga ou apelar para um qualquer que esteja de férias no momento.
            O Inter não quer apenas chamar a atenção, Falcão é uma aposta, mas que pode dar certo, ainda mais com o time que agora terá em mãos, candidato claro a qualquer título que dispute no ano, ainda mais se não sofrer uma limpeza do mercado europeu no meio do ano.
            Seguem os melhores e piores do Inter na década.


MELHORES: Clemer, Ceará, Bolívar, Índio, Kleber, Guiñazu, Tinga, D’alessandro, Fernandão, Nilmar e Alexandre Pato;


PIORES: Hiran, Luisinho Neto, Espínola, Duílio, Eros Perez, Magal, Alexandre Rotweiller, Pinga, Didi Facada, Fernando Baiano e Jeferson Feijão;

sábado, 9 de abril de 2011

O Barcelona bom e o ruim

Eu definitivamente não entendo o Barcelona, tido como o melhor time do mundo atualmente (provavelmente o é), os catalães teriam totais condições de passearem no campeonato espanhol e serem soberanos no campeonato, disputando, no máximo, com o Real Madrid e isso se o time da capital estiver em uma temporada muito satisfatória. Alguém deve estar criticando o tempo verbal, teria? O Barcelona, vão dizer, faz exatamente isso, basta ver a tabela de classificação e os resultados obtidos no campeonato espanhol e na Liga dos Campeões.
            É verdade, quem se apegar aos números terá mesmo essa impressão (que não é incorreta) do Barcelona, mas para quem assiste os jogos fica uma dúvida no ar, um certo incomodo. Porque um time teoricamente tão superior as vezes sofre tanto contra times tão menores? Porque o time que goleia o Fluminense na piadinha virtual, é sempre a principal referência quando se fala de times bons, que tem uma torcida que exige futebol bonito, dentre diversas outras virtudes precisa passar horas e horas no 0 a 0 para achar, de repente, uma pá de gols que lhe permite golear.
            Foi o que aconteceu nessa tarde de sábado, o Barcelona, líder isolado recebia, em casa, o lanterna Almeria, um passeio evidentemente, um show dos melhores do mundo, foi o que todos disseram, em especial aqueles que se apegam aos números, não foi, depois de um primeiro tempo chatíssimo, difícil de assistir o tal melhor time do mundo toma um gol no começo do segundo tempo e sai perdendo, para o lanterna em casa, parecia querer retribuir a gentileza do Real que foi derrotado em casa pelo Sporting Gijón, mas isso nem tornaria o campeonato mais emocionante, seriam cinco pontos a frente, nem vale a desculpa de que se poupavam para a competição continental já que a classificação está mais que encaminhada.  Qual então é o defeito desse Barcelona?
            Pra mim o Barcelona esbarra no próprio preciosismo, na exigência de que “precisa vencer dando espetáculo” e por querer tanto isso, acaba não dando espetáculo nenhum, porque muitos dos 3 a 0 poderiam ser 8, alguns 5 a 0 poderiam ser 12 e por aí vai, o Barcelona toca demais a bola, é paciente demais, não mata o jogo e torna a partida, para quem assiste, uma interminável troca de passes que muitas vezes parece não ter objetivo algum. Quando força, o Barça goleia, aconteceu isso hoje, aconteceu isso na quarta- feira, o time de Guardiola devia forçar mais o jogo, ao invés do passinho de calcanhar no meio de campo, as belas enfiadas poderiam aparecer mais vezes, ao invés do passe a mais na cara do gol, um ataque mais objetivo. O Barcelona tem consigo seis jogadores titulares da última final de copa (não contei o Puyol) no time campeão, pra somar a safra de Villa, Xavi, Iniesta, Pedro e Pique e Busquets, somente o melhor do mundo, Messi, para dar o caldo, é um dos grandes esquadrões da história, sem dúvida alguma e os números apontam isso sem dúvida alguma, mas o futebol, podem me chamar de chato, o futebol as vezes não é bem assim.

Os melhores e piores do Atlético

A seleção do Atlético-MG era pra ter vindo antes junto ao post “Galo Perdido”, mas precisei de um pouco mais de tempo para formular o time dos piores até porque o galo tem muita coisa interessante pra apresentar nesse. Aí vamos.

MELHORES:

_Velloso (Jogou muito com a camisa do galo e se tornou tão querido quanto é no Palmeiras);
_Mancini (Quando apareceu no galo era lateral, tão bom, mas tão bom que foi pra Europa jogar no meio de campo);
_Rever (Um achado atleticano e melhor jogador do time em 2010, com sua chegada o time cresceu dentro de campo)
_Cáceres (Participou de dois momentos tristes, reserva na sofrida temporada 2010 e titular no rebaixamento de 2005, mas não importa, individualmente ele se safou)
_Rubens Cardoso (A década não foi muito generosa de laterais esquerdos com o galo, entre as opções Rubens Cardoso me parece ser mesmo a melhor);
_Gilberto Silva (Opção fácil, Gilberto Silva foi um dos melhores não só no Atlético, foi um dos principais volantes do Brasil nessa década tendo jogado três copas do mundo);
_Márcio Araújo (Querido no Atlético, teve três passagens pelo time, quando pouco diziam que era um ruim esforçado, mas já recebeu até condecoração de grande volante);
_Marcinho (Meia, mas com incrível facilidade para fazer gols Marcinho foi o melhor jogador do galo na temporada campeã da série B);
_Marques (Atacante, mas com jeito de meia pela facilidade anormal em dar assistências, no começo da década era o craque de um galo que sonhava com título brasileiro, um dos grandes ídolos da massa em todos os tempos);
_Diego Tardelli (Identificação é uma coisa fundamental no futebol, de eterna promessa em São Paulo e Flamengo, Tatatatardelli, como ficou conhecido achou seu melhor futebol no galo, foi artilheiro do brasileiro e chegou à seleção, quase jogou a copa 2010);
_ Guilherme (Goleador nato, a posição de centroavante no galo só deve ter um nome a frente dele, o do maior ídolo Reinaldo, até a passagem posterior pelo Cruzeiro foi perdoada);

PIORES:

_Edson (O Atlético tem sofrido com goleiros, mas nem os medalhões do final da década são páreo para Edson, o mão de alface número um);
_Rafael Tesser (Fez parte da equipe rebaixada e contribuiu com todo o seu potencial em estragar tudo para a queda do galo, hoje joga num time de empresários que não disputa nada);
_Werley (Alguém pode até dizer que é injusto, Werley surgiu bem, como promessa, mas caiu tanto e tanto que a torcida quer doá-lo para o primeiro bobo que desejar a contratação);
_Adriano (Um dos piores jogadores não só do galo e não só da década, mas da história do futebol, começou a carreira com 21 anos achado pelo América-MG, seu nome lembra um gol contra feito contra o Santos que não acontece nem em solteiros x casados, com todo mundo bêbado);
_Leandro Smith (Revelação do Goiás o Atlético apostou que esse seria seu grande lateral, olha que tinham bons nomes a serem citados aqui, mas o de Leandro prevaleceu com sobras);
_Rafael Jataí (Se o sofrimento atleticano em 2010 tivesse um nome provavelmente seria Rafael Jataí, num time que penou o campeonato todo, o volante era provavelmente o destaque na incapacidade de jogar futebol);
_Bilú (Não era um desastre com a bola no pé, mas era ruim demais e... Titular absoluto, foi um dos que mais deu dor de cabeça ao torcedor do galo nos últimos dez anos);
_Ataliba (Um desses jogadores raros no futebol, Ataliba era, ou é, um meio campo altamente desqualificado que deu toda sua contribuição para o rebaixamento do Atlético em 2005, o time começou o ano 2006 mal, coincidência ou não, melhorou quando ele foi pro Botafogo);
_Catanha (Pernambucano que jogou na seleção espanhola, explicação válida do porque nunca haviam ganhado uma copa, como era ruim, talvez o fiasco mais lembrado na campanha do rebaixamento);
_Márcio Mexirica (Chegou querendo ser chamado de Márcio Santos, mas com o futebol que apresentou era pelo apelido mesmo, Márcio Mexirica não tinha apenas nome de grosso, tinha também o futebol);
_Nilson Sergipano (Quem melhor para fazer dupla com Mexirica? Após ser artilheiro da terceira divisão pelo Sergipe, Nilson desembarcou no galo, obviamente foi um erro, quando o presidente Kalil precisou de um exemplo pra não baratear o ingresso dos jogos, disse que ficaria sem dinheiro e contrataria o sergipano de volta);

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Que Semana

Que meio de semana, na Liga dos campeões o Barcelona goleou e praticamente confirma a semifinal contra o Real Madrid e na Inglaterra jogo vibrante entre Chelsea e Manchester United com vitória dos Red Devils em pleno Stanford Bridge. O jogo na Catalunha foi extremamente mais agradável de se assistir, precisei fazer um esforço para, depois de finalizado, assistir à reprise do jogo em Londres já sabendo o placar, nada de novo, jogo fechado, adversários se estudando esperando um vacilo, o vacilo veio por parte do Chelsea e Rooney aproveitou, o baixinho é infernal e pra mim a melhor explicação para as campanhas tão sólidas do Manchester nas competições importantes, no final do jogo houve reclamação dos mandantes de pênalti em Ramires, Evra foi imprudente e poderia ter feito pênalti, não fez.
            Na Catalunha o Barcelona atropelou o Shaktar Donetsk, que não fez uma partida ruim, muito pelo contrário, pecou por ser um time muito jovem, as vezes afobado e frágil defensivamente, tivesse Luiz Adriano mais frieza nas conclusões o jogo poderia ter ficado 5 a 4, mas o se não entra em campo, o ex atacante do Inter errou muito de frente ao gol e permitiu a goleada, mas vale destaque que o Shaktar conseguiu encurralar o Barcelona em diversas situações de uma maneira que nem o Arsenal conseguiu, aliás o time ucraniano passou em primeiro no grupo H deixando os ingleses em segundo, mas valia apenas uma eliminação mais tardia para o Barcelona, extremamente ofensivo o Shaktar peca pela fragilidade defensiva, quando forçou o jogo os catalães mataram a partida.
            A quarta feira continuaria com Copa do Brasil e Libertadores em novas partidas emocionantes, São Paulo e Santa Cruz, Vasco e ABC, Atlético-MG e Prudente, Nacional e Fluminense, Santos e Colo Colo, não assisti nenhum diretamente, fiquei vagando pelos canais acompanhando cada um deles, vi um Santa Cruz valente (mais valente que bom) e inexperiente dando muito trabalho ao São Paulo, a classificação foi complicada com Rogério Ceni perdendo o gol 101 em cobrança de pênalti, o Vasco sofreu ainda mais porque precisou virar o placar diante do ABC, vacilo do time carioca que esbarrou nos próprios nervos, mas gostei do pouco que vi do time de Natal e me atrevo a candidatá-lo ao sonho de jogar a série A em 2012 caso mantenha o elenco, o Santos acordou  e voltou a dormir na Libertadores, fazer 3 a 0 e tomar 2 gols é aviso de que o time precisa se acertar, Muricy está lá para isso, a expulsão de Neymar foi muito mais um preciosismo bobo do que de fato merecida e o Fluminense beneficiou-se da vitória do América sobre o Argentino Juniors para continuar sonhando, a situação do tricolor é  extremamente problemática e merecida, o Fluminense foi fraco na Libertadores justamente num grupo onde não cabiam erros, o jogo contra o Nacional, tão decisivo e tão aguardado foi sem dúvidas o pior da equipe na competição, mesmo com gol impedido de Garcia e pressão nos minutos finais, o tricolor foi desorganizado e se vale muito mais da vontade do que da qualidade, foi assim que venceu o América semana passada, Fred, Conca e companhia querem, desejam levar o Fluminense adiante, mas esbarram nas limitações que possuem enquanto grupo, continuam grandes jogadores, claro, mas deixaram de ser o grupo que eram ano passado, parecem mais o Flu de 2009, fraco e esforçado, uma classificação seria quase tão heróica quanto o escape do rebaixamento naquele ano.
            E o Atlético, esse está mesmo na lama, a eliminação para ninguém menos que o lanterna do campeonato paulista é injustificável, mudanças drásticas precisam acontecer e logo para o time não passar pelos sustos do ano passado, a demissão de Ricardinho é estranha mas válida, não da pra formar times de medalhão hoje em dia e Ricardinho o é, vale mais investir em Dudu Cearense que chegou hoje à capital mineira, grande jogador, faltam agora um meia e um centroavante, e com urgência, antes que a necessidade seja a de um novo técnico.
            Por fim o Grêmio ontem venceu com segurança o Junior Barranquilla, acabou com o 100% de aproveitamento do time colombiano e além de se classificar, ainda ajuda o Cruzeiro, que pode pegar o primeiro lugar geral dos grupos e ter vantagens nos confrontos decisivos, o Grêmio não tem elenco como o do Inter, derrotado quarta no México pelo Jaguares, mas tem um grupo melhor formado, Renato Gaucho inegavelmente é mais técnico que Celso Roth e, ainda que a demissão de Roth não seja plenamente justificável vale o Inter ficar atento aos grandes nomes que possivelmente surgirem no mercado, o Inter tem um elenco fortíssimo e com um treinador de qualidade pode se tornar quase imbatível.  

terça-feira, 5 de abril de 2011

A terça dos passeios

Não tem outra palavra, os jogos dessa terça-feira pela Liga dos Campeões foram dois verdadeiros passeios de Schalke 04 e Real Madrid sobre Inter de Milão e Tottenham respectivamente. Pelo lado do Real Madrid, apesar da elasticidade no placas, uma vitória tranqüila já era aguardada, o time sedento por um bom desempenho no torneio após 8 anos e com o melhor treinador do mundo havia de esquecer o campeonato espanhol já praticamente encerrado e não permitir outro tropeço em casa, não deu outra, 4 a 0 com dois gols de Adebayor, um de Di Maria e outro de Cristiano Ronaldo, pelo gol por sinal que contou com participação de Kaká, finalmente retornando após longos períodos ausente, num vai e volta interminável entre gramado e centro médico. É chover no molhado que o Real tem totais condições de ser campeão, se querem saber minha aposta, o título vai ficar mesmo na Espanha e ser decidido nas semifinais, mas, claro, é apenas uma aposta, não vejo nenhum dos clubes ingleses que protagonizaram o clássico amanhã em condições sequer próximas de Real e Barcelona, mas o campeonato é decidido em partida única, o que dá margem pra uma... Zebra.
            Pelo lado do Schalke, uma classificação frente a Inter não era um objetivo impossível, os torcedores deviam imaginar um empate hoje ou uma derrota, desde que o Schalke balançasse as redes ao menos uma vez para então decidir na Alemanha, agora, o Schalke jogar em ritmo de treino, colocar a Inter na roda e golear em pleno Giussepe Meazza é demais, e aconteceu, foram impiedosos 5 a 2 e superioridade total durante os 90 minutos de partida. O jogo começou com um gol de Stankovic após saída errada do bom goleiro Neuer, com aqueles chutes de rara felicidade que o sérvio tem por hábito executar abriu o placar com segundos de jogo, os últimos de alegria para a torcida italiana, a partir daí só deu Schalke, até o empate e mesmo que Milito tenha colocado a Inter novamente em vantagem era claro o domínio de meio campo dos alemães, marcavam por pressão, fechavam a maioria dos espaços e ganhavam as divididas próximas ao circulo central para então atacar em bloco, o brasileiro Edu, o interminável Raul, Farfán e principalmente Jurado infernizaram a vida de Chivu (que terminou expulso de novo, já o havia sido contra o Milan), o brasileiro empatou ainda no primeiro tempo, no segundo completamente perdida a retaguarda italiana só desejava o fim da partida enquanto Raul fazia seu 70º gol na liga, o maior goleador da história do torneio, Ranocchia fez um contra e Edu marcou mais um. Até o começo da segunda etapa pode haver quem diga que era um jogão, lá e cá, mas mais pro Schalke, até é verdade, mas o domínio no segundo tempo foi tão enfático, foi tão massacrante, tão humilhante para a Inter que a partida de hoje será lembrada, o nome Inter ficará marcado por um dos grandes vexames que a Liga dos Campeões presenciou e Leonardo, depois de um jogo como esse, não tem jeito, balança no cargo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Fim de semana na Europa

O fim de semana também foi marcante na Europa, o nivelamento aqui nem de perto se reflete lá, depois de o Porto garantir o título nacional com cinco rodadas de antecedência, o Borussia Dortmund goleou na Alemanha seguindo folgado na ponta, Arsenal e Chelsea vacilaram permitindo que o Manchester United abrisse e o Milan passeou no clássico de Milão fazendo a Inter cair de colocação. Típico de futebol europeu e normalmente sem graça, mas dessa vez não, o fim de semana foi agitado e emocionante.
            O Manchester precisou virar pra cima do West Ham, a beira do abismo na Premier League e o Chelsea fez uma baita partida contra o Stoke City, time mediano de lá, impressionante mesmo foi o volume de jogo do Stoke em toda a partida, apesar de jogar em casa, não seria normal que o Stoke imprimisse uma pressão tão grande contra o gol de Peter Cech em tanto tempo de jogo, foram três bolas na trave, diversas oportunidades e um Chelsea explorando apenas os contra ataques, no final das contas quem comemorou o resultado foram justamente os Blues.
            Na Espanha a história foi escrita, depois de nove anos e 150 partidas sem ser derrotado em casa por nenhum de seus clubes anteriores (Porto, Inter e Chelsea), José Mourinho perdeu, junto do seu Real Madrid para o Sporting de Gijón em pleno Santiago Bernabeu, feito épico, jogo que valeu a pena de ser assistido, apesar da sonolência na maior parte dos 90 minutos justamente por tamanha façanha e por tamanho feito batido, justamente contra um time que só queria fôlego para não rebaixar, sensacional, quando essas coisas acontecem, ainda mais na Europa onde a disparidade é ainda mais covarde que no Brasil lembramos porque o futebol é esse esporte tão apaixonante.
            Mas times soberanos também podem ser apaixonantes, é o caso de Porto e do Borussia Dortmund. O time alemão é um pouco mais cascudo e joga mesmo em virtude única e exclusiva de conseguir o resultado, louvável para quem a mais de uma década estava ausente das primeiras páginas sendo um gigante do futebol mundial como é o Borussia, o time, tão quadradinho, certinho, fechadinho, joga em função de um único craque, Lucas Barrios, o argentino- paraguaio é um baita jogador e ditou a vitória sobre o Hannover no sábado com direito a gol e passe magistral, no ano de 2008 nenhum jogador no mundo inteiro fez mais gols que Lucas Barrios, então vestindo a camisa do Colo- Colo do Chile. Em Portugal o ainda mais apaixonante Porto foi campeão em definitivo, justamente no clássico contra o Benfica e jogando em pleno estádio da Luz, o time do Porto da gosto de ver, é futebol como precisa ser de velocidade, agressividade e posse de bola, o Porto não mantém a bola nos pés apenas por uma questão de segurança, mantém para agredir, para chegar, para que seus dois atacantes Falcão Garcia e Hulk sejam abastecidos e façam seus (muitos) gols. Eu acho simplesmente impressionante que Hulk não seja muito mais cotado para vestir a camisa 9 da seleção nacional do que é, em meio a apostas em Pato, Leandro Damião, Jonas e outros, Hulk é para mim o mais qualificado, é forte, tem presença de área, chuta com potência e precisão, não é escravo de apenas uma perna e é absolutamente veloz numa arrancada, ou seja, em menção direta, é um Adriano totalmente potencializado, mostrando como a opinião de quem acompanha o jogo muitas vezes é formada por conteúdos fracos, numa terra em que Fernando Torres é craque, Hulk deveria ser gênio, não é, mas apesar de gostar de Pato e Damião, Hulk seria o meu 9.
            Na Itália quem vai bem é o Milan, a vitória no clássico da moral a um grupo que sofria com a desconfiança e que agora chega, de fato, para ser campeão, na sua cola apenas o Napoli, o time que mais vale a pena assistir de toda a Europa, talvez do mundo, no domingo, mais um jogaço, dessa vez contra a Lazio que tinha esperanças, já extintas,de encostar, o time da capital abriu 2 a 0 com direito a gol de André Dias, mas o uruguaio Cavani tratou de resolver, fez logo 3 gols e deixou o placar final em 4 a 3, infernal esse menino uruguaio, infernal esse time do Napoli, o único que pode sonhar em tirar o Scudetto das mãos do Milan, é difícil, até improvável, se Cavani joga muito, Ibrahimovic é espetacular, Robinho e Pato deram liga e o time não deve voltar a vacilar, mas que esse Napoli vale a pena, vale, com certeza vale.

Aos desavisados

            Adoro os estaduais, fontes de alimentação das rivalidades regionais, momento do interior mostrar-se, hora de jogadores com menos badalação aparecerem e tentarem seu lugar ao sol, o objetivo é sempre o mesmo, aparecer para a disputa do campeonato brasileiro, para quem já está lá garantido, é quase como uma preparação. Algumas pessoas acham problemático, acham dispensável, eu acho fundamental, os estaduais regem novos investimentos a clubes de menor expressão e dão um bom ensaio do que será a  temporada completa. Porém, é difícil medir a capacidade de um time apenas julgando pelos estaduais, eles podem enganar dada a diferença até covarde de estrutura e orçamento entre os chamados clubes grandes e pequenos.
            No auge da “enganação” gerada pelos estaduais estão, pelo que percebo, Palmeiras e Vasco. Numa gestão até ridícula, de cortes de gastos cada vez mais imbecis, alugando quartos de hotel a menos ou viajando de ônibus (viajar de ônibus não tem nada de mais, desde que você não seja um atleta e esteja indo competir), o Palmeiras formou um elenco pra lá de modesto, investindo claramente em contratos com jogadores que lhes saiam praticamente gratuitos sem se preocupar em reforçar o elenco, o Palmeiras faz, hora ou outra, contratações, mas raramente reforça o elenco. No Vasco, um elenco que gerava algumas desconfianças teve um inicio assombroso no carioca perdendo quatro jogos seguidos para times menores nas primeiras rodadas.
            Condenados pela imprensa e pelos torcedores dos outros clubes ao vexame e ao rebaixamento Palmeiras e Vasco começam a dar mostras de que, em definitivo, não estão atrás de ninguém, muito pelo contrário, são líderes de seus respectivos campeonatos estaduais. Enganação? É possível, o Vasco parece gerar realmente diversas desconfianças e o elenco do Palmeiras é realmente formado por um número muito grande de jogadores sem grife alguma, mas que time não gostaria de ter Felipe, Éder Luís, Kleber, Valdivia, Dedé, Danilo, Fernando Prass, Marcos Assunção, Deola... O Vasco de PC Gusmão falhou e feio no ano, mas a saída do treinador e a de Carlos Alberto, acabando com o clima de disputa interna trouxe, com grandes méritos a Ricardo Gomes, paz e tranqüilidade que despertaram de volta o futebol de Felipe e Éder Luis, acenderam Bernardo, sem contar a chegada de reforços como Diego Souza e Alecsandro que não chegam para salvar a pátria, mas para somar num time que já está se encontrando. Não assisti a nenhuma partida da era PC Gusmão esse ano, só lia comentários, depois, fui assistir a jogos do Vasco já com Ricardo Gomes e me impressionei, candidato a rebaixamento? Time horrível? Nenhuma das acusações procede em nada, o Vasco tem time e vem forte.
            O Palmeiras até não conta com jogadores da cancha dos do Vasco e aposta em Rivaldo, Cicinho, Thiago Heleno e Márcio Araujo, mas é impressionante como dá certo, também sensacional, talvez até mais que Ricardo Gomes, Felipão tira leite de pedra e faz um time tosco se tornar totalmente competitivo, para isso claro ajuda a sorte: Kleber e Valdivia são apostas caras da diretoria antiga que continuaram para esse ano, o clube ainda trouxe Lincoln de volta do estaleiro e revelou Patrik dando qualidade dentro de campo.
            O Palmeiras de Felipão e o Vasco de Ricardo Gomes tem uma característica (qualidade) clara, tem padrão de jogo, são times prontos onde cada um sabe suas virtudes e limitações, estão fechado em torno de um objetivo e lutam por aquilo, por ter um elenco melhor o Vasco aposta na criatividade do meio de campo e acaba goleando com freqüência, problemático não é bater em bêbado, é apanhar pra ele, já o Palmeiras aposta na solidez defensiva, num sistema de marcação fortíssimo (e praticamente infalível (são 8 gols em 20 jogos no ano), e na qualidade dos jogadores de frente, como o time perdia muitos gols faltava o homem referência, Kleber tem assumido o papel e Wellington Paulista está para chegar.
            São timaços? Claro que não, aliás no Brasil timaço deveria ser o Santos, não é, o Inter estaria um passo a frente dos demais (a observar) e o Cruzeiro, esse sim, pela bola, se desgruda no pelotão de frente, fora eles não há time que possa desejar cantar mais alto pelo jogador que tem, por isso ou aquilo, vale lembrar que o invicto Flamengo não convenceu, ou no mínimo convenceu muito menos do que qualquer vitória vascaína sobre comando de Ricardo Gomes, o Grêmio apesar da boa fase no gauchão está cheio de altos e baixos na Copa Libertadores, o Atlético- MG que tanto começou o ano bem, deixou de oscilar  e entrou em má fase mesmo, São Paulo e Corinthians para além de Lucas e Liedson, tem Dagoberto, Jorge Henrique, Bruno Cesar, Carlinhos Paraíba, Jean, Alessandro... bons jogadores que não precisam de mais grife que outros por aí.
            Enfim, o campeonato está nivelado, esperemos que esse nivelamento não seja por baixo como foram em outros campeonatos recentes e que, se não for possível um brilhantismo técnico que ao menos tenhamos um campeonato competitivo.

            Além das vitórias de Vasco e Palmeiras no fim de semana, vale destaque do Santa Cruz no Pernambucano, na casa do Sport a cobra coral picou o leão e segue quase hegemônica no ano, quarta –feira vêm a São Paulo pensando grande, é bom ver o Santa Cruz brilhando outra vez.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Galo perdido

            Péssimo jogo ontem entre Atlético-MG e Grêmio Prudente, aliás o galo ganhou a mania de fazer jogos péssimos, os empates contra Uberaba e Ipatinga, times então próximos a zona de rebaixamento do campeonato mineiro impediram que o galo se mantivesse líder e permitiu que o Cruzeiro disparasse. Ontem, o galo, que poderia evitar o jogo de volta contra o lanterna do campeonato paulista, não cumpriu a meta e ainda perdeu, foi derrotado por 2 a 1 num jogo de terríveis limitações técnicas de ambos os times.
            O jogo começou sob expectativa de um Atlético diferente do das últimas apresentações, pressionando para eliminar o jogo da volta, o limitado zagueiro Werley finalmente volta ao banco para entrada de Leonardo Silva, de tamanho sucesso no rival Cruzeiro, ao lado de Rever essa defesa tem tudo para ser segura, porém no ataque Dorival Júnior insistiu com o poste Ricardo Bueno, jogador que não demonstra virtude alguma seguir vestindo a camisa do galo e deixa a equipe com ainda mais saudades de Diego Tardelli, cuja venda ao futebol russo parece ter degringolado de vez a equipe de Dorival.
            Ricardo Bueno fez uma partida dentro das suas características, errando passes e domínios simples e prejudicando o lado ofensivo do galo, a responsabilidade do jogo, e não apenas ontem fica por conta dos veteranos Ricardinho e Magno Alves e vindo do banco, Neto Berola não consegue resolver sempre, como foi o caso ontem. O Grêmio Prudente, ainda que seja um time limitadíssimo, muito fraco tecnicamente, foi ao menos superior taticamente, com Marcio Goiano, que subiu o Figueirense ano passado à primeira divisão como novo comandante, o Prudente soube explorar a confusão do time atleticano para fazer dois gols que o deixaram em vantagem no primeiro tempo, ambos em falhas da zaga, e no segundo juntou quase onze jogadores no campo de defesa para fechar o pouquíssimo criativo meio de campo do galo, Ricardinho, a única esperança de algum passe ou lance diferenciado foi substituído, provavelmente por cansaço e Neto Berola que substituiu Ricardo Bueno entrou pouco inspirado, foram 45 minutos de um segundo tempo lamentável de um ataque quase inoperante batendo e voltando numa retranca absoluta, quase como passar 45 minutos assistindo as ondas batendo nas pedras de um rochedo e voltando para o mar.
            O time de Dorival se perdeu após um inicio de ano promissor e perde as perspectivas de um ano vitorioso, a troca de comando não me parece uma solução interessante já que Dorival já deu conta de salvar o galo ano passado em meio a uma grande crise e sem contar com muitos dos reforços que apareceram esse ano, as saídas de Obina, Diego Tardelli e Jóbson parecem explicar a fragilidade ofensiva, já que Neto Berola é apenas um bom reserva, Ricardo Bueno não tem a menor condição de seguir no time e Magno Alves é veterano demais para ser o responsável pelo time, no meio Ricardinho precisa de um companheiro veloz, um jogador agressivo que tenha como característica partir pra cima da defesa, Renan Oliveira poderia ser esse jogador, mas é instável demais. Mas de longe o problema mais assustador me parece ser a zaga, na parte ofensiva do time faltam peças de qualidade com as quais Dorival Junior trabalhe, porém, na defesa, Rever e Leonardo Silva são grandes jogadores e a defesa continua sofrendo gols infantis constantemente, ontem foram mais dois, a explicação poderia estar na fragilidade dos laterais, já que Leandro é quase um ex jogador em atividade e Rafael Cruz não corresponde, mas mesmo em jogadas que dependem exclusivamente dos zagueiros as falhas acontecem. O galo de Dorival se perdeu, mostra deficiências, será necessário uma reunião de emergência entre grupo, comissão técnica e diretoria para colocar a nau outra vez no rumo certo e, ao que parece, serão necessárias mais algumas contratações, mesmo depois das diversas que o Atlético já efetuou no começo do ano.