O domingo trouxe uma nota diferente para o futebol argentino, não vou dizer triste, mas bastante inusitada, o poderoso River Plate está rebaixado para segunda divisão do nacional hermano. Não digo que é triste por que futebol é assim, a tristeza de alguns é a alegria de outros e é preciso respeitar e reconhecer o Belgrano. Se reclamamos no Brasil do centralismo ao eixo Rio- São Paulo, imagina o que deve acontecer na Argentina cujo epicentro em todas as esferas é Buenos Aires.
Mas o Belgrano derrotar o River e ainda por cima, numa situação de briga por primeira divisão é algo que precisa ser destacado, o River Plate não é grande, é gigante, um monstro, na década de 40 chegou a ceder seus onze titulares para formarem justamente o time titular da seleção argentina, inúmeras conquistas nacionais, duas conquistas de Libertadores e craques e mais craques argentinos revelados, recentemente Higuain é o grande nome dos herdeiros do River.
Na Argentina, que possui menos times de tradição e que nunca tinha vivido situação semelhante isso é mais dramático que quando um time brasileiro rebaixa, se aqui já é armado essa confusão, imagina lá. De repente, a Copa América que acontecerá lá daqui a uma semana perdeu importância, o assunto se resume a River, River e mais River.
É um absurdo cair na Argentina, o esquema de proteção aos principais times é grande e o formato permite se fazer um campeonato ridículo e permanecer, desde que os dois anteriores tenham sido razoáveis ou bons, a queda do River significa que ele vem muito mal há muito tempo, já ocupou a lanterna, já teve o pior ataque, tudo carregado pela desculpa que havia tempo para recuperação em anos posteriores. Agora a recuperação precisa ser imediata, duas temporadas na segundona significaria triplicar o drama, não apenas para o torcedor, mas o clube, atolado em dívidas, precisa de dinheiro que só virá caso ele retorne à elite argentina.
O River pode se apegar ao exemplo brasileiro, Grêmio, Atlético, Fluminense, Vasco, Palmeiras e Corinthians chegaram a dar a impressão de que não tinha volta, na camisa, na torcida, na dedicação de jogadores que atuaram por brio e orgulho de defender uma camisa gloriosa e não por dinheiro (o que é mais fácil de acontecer por lá do que aqui), todos voltaram. O River também vai voltar, o River precisa voltar, o futebol argentino e sul americano precisa dele, mas hoje, hoje é dia de reconstruir e, usar as mãos não para a violência, mas para aplaudir o Belgrano de Córdoba.
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