sábado, 8 de janeiro de 2011

Os melhores da década


        Ah, essas eleições, sempre polêmicas. Para quem não acompanhou foi listado pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol duas eleições nomeando aqueles que seriam os 10 melhores dessa primeira década do século em diversas categorias. Para não deixar o post imenso, preferi não listar aqui todos eles e vou me limitar aos comentários, uma simples googlada em outra aba permite acompanhar o raciocínio.
         Entre os técnicos, Arsene Wenger lidera seguido por Ferguson, Mourinho Capelo e Hiddink. Felipão é o melhor brasileiro em sétimo, seguido por um Parreira Dunga a frente de nomes como Luxemburgo e Muricy.
         Honestamente, Arsene Wenger no topo soa ridículo, sua filosofia de sempre apostar em promessas, há muito tempo, mais especificamente, desde o inicio da década mantém o Arsenal como uma eterna promessa, boa bola, chances de título, convencimento e... Morte na praia. Muito mais o próprio Ferguson, que tira leite de pedra no Manchester mesmo quando este não tem elenco ou Mourinho, multi- campeão por todos os times que passou, Wenger vive do título invicto de 2004 e de, talvez, ter um time plasticamente mais gostoso de ser assistido, enquanto não se libertar do dogma das promessas, será um treinador mediano e não valerá a eleição.
         Tudo isso é prova de, apenas, critérios muito duvidosos na somatória de pontos, como medir a plasticidade de um time numericamente? Como ignorar os técnicos que foram sensação, para mim não tem discussão, o melhor técnico da década é José Mourinho, só nos últimos dez anos o homem levou o modesto (em nível da Europa como um todo) Porto a um título de Liga e mundial (minúsculo mesmo), fez do Chelsea o monstro temido que é hoje, sim, ajudado pelos investimentos também monstruosos de Roman Abramovic, mas foi quem, em campo levantou um time coadjuvante ao status de protagonista não só na terra da rainha, mas no mundo todo. Por fim, criou uma Internazionale praticamente imbatível, detentora de tudo que disputou na temporada 2009/2010, a seqüência de Rafa Benítez no comando é uma das várias provas de que a tese, “o técnico não faz tanta diferença” não é real, mas disso eu falo depois.
         Esse próprio criticado Benítez merecia sorte melhor que o nono lugar que recebeu, pois, convenhamos, teve uma década e tanto. Com o Valência da Espanha, levou o time a dois títulos espanhóis, em 2002 e 2004 superando os poderosos Real Madrid e Barcelona, e a duas finais de Liga dos Campeões. No Liverpool, finalmente ganhou essa liga já no seu primeiro ano, tirando o clube de um marasmo de muito tempo e mesmo não tendo conseguido tirar os Reds da fila na Premier League, recolocou-os nas primeiras colocações constantemente.
         Independente dos critérios, muito falhos na maioria das vezes, sequer citando Joseph Guardiola nem entre os 15 melhores e incluindo Sven-Göran Eriksson e Karel Brückner, responsáveis por estragar gerações maravilhosas das seleções inglesas e tchecas respectivamente, que contavam com jogadores como Gerrard, Nedved, Lampard, Cech, Ferdinand, Rosciky, etc. A excelente geração tcheca só jogou uma das três copas na década, não tendo passado da primeira fase. Isso pra mim é culpa do treinador.
         Já que não posso comentar aqui uma por uma as escolhas, então vou enfim à critica principal desse processo de eleição. Ele é europeizado demais, ele privilegia do começo ao fim àquele que joga, treina ou trabalha na Europa, ele cria um abismo, muito além do financeiro para clubes da América Latina, dentro outros, como se o talento do futebol europeu se desse exclusivamente por jogadores nascidos lá.
         Na última Copa do Mundo, me irritou demais o que eu chamava de analise Winning Eleven, daqueles que queria sobrepor todo e qualquer jogador de clubes europeus, de preferência os grandes, aos demais jogadores do planeta. Como se Obi Mikel pudesse resolver o problema de algum time brasileiro, como se Busquets jogasse muito além do que um Pierre ou Ralf (ou Mascherano, reserva dele no Barcelona inacreditavelmente), como se Fletcher e Berbatov tivessem feito tanta falta assim ao mundial por não terem participado.
         Como se Muricy Ramalho não merecesse citação muito superior a, por exemplo, Dunga e Parreira, que só receberam tais posições pelo fato de terem sido treinadores da seleção brasileira. O desempenho de ambos sequer rivaliza com o que fez Luxemburgo no Santos ou Muricy Ramalho nos diversos clubes que treinou. Ok, um ranking é apenas um ranking e não determina, via de regra, quem é melhor ou pior que ninguém, e cada um tem direito a ter uma opinião, mas 90% das eleições, análises, prêmios futebolísticos de caráter mundial privilegiam desonestamente quem tem contato com seleção ou clube europeu sendo que no corpo a corpo, no confronto direto, nos mundialitos de verão, nunca foi tão fácil assim para os europeus se sobressaírem.

Um comentário:

  1. Eu concordo com essa visão de rankings que vc tem tambem, Lucas.
    E lembrando que sou Cruzeirense e também nao concordo com aquele ranking IFFHS que coloca o Cruzeiro como o melhor time brasileiro.

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