quarta-feira, 6 de julho de 2011

O prazer de assistir futebol

A Copa do Mundo de futebol feminino ia passar batido nesse blog, me admitindo preconceituoso não tinha, inicialmente nenhuma intenção de acompanhar de perto o desempenho da seleção feminina nos gramados da Alemanha. Acompanho de longe, sei o que está acontecendo, mas com pouca paixão envolvida.
            Pois é válido afirmar que esse desinteresse foi brutalmente substituído por uma vontade real de assistir cada partida, Messi e Neymar que me perdoem, mas assistir ao futebol deles fica extremamente complicado quando comparado à possibilidade de ver Marta, Erica, Formiga e Cristiane em ação. Os próprios espanhóis, campeões do mundo que se coloquem em seus lugares, na copa da África foi difícil ver jogo tão movimentado e emocionante quanto o Alemanha 4 x 2 França que garantiu a classificação das alemães para a fase seguinte. Agora a tarde outras duas grandes partidas, o Brasil que vinha de excelente vitória sobre a Noruega por 3 a 0 com show de Marta repetiu o placar contra a Guiné Equatorial que tinha em torno de dez jogadoras brasileiras naturalizadas, no mínimo curioso. E fica a prova que não é só de Marta que vive o futebol feminino, o primeiro gol brasileiro no dia marcado por Érica foi mais que lindo, mais que uma pintura, foi uma verdadeira obra prima, com chapéu na defensora e um sem pulo com categoria raramente apresentada no futebol masculino moderno. Enquanto escrevo o posto, vou acompanhado a vitória d Suécia sobre os Estados Unidos, os dois países onde o futebol feminino tem mais moral. Mas não é difícil imaginar que, mesmo com todo apoio, elas sempre continuam à sombra dos marmanjos, na Suécia o futebol é um esporte popular e raramente um sueco deixaria de ver a pífia participação da seleção comandada por Ibrahimovic pelo bom futebol de Lotta Schelin, e as americanas, ainda que, teoricamente, tenham mais moral para a pratica do futebol que os homens, com certeza estão muito a margem dos rapazes do baseball ou do basquete.
            Sem o glamour de pop stars, sem os salários exorbitantes, sem a mesma pressão por resultados a todo custo, as meninas da bola, por todo o mundo vão dando um show nos homens, partidas muito mais movimentadas, atuações com coração, feitas por quem quer estar ali e não pela obrigação do cumprimento de um contrato com um clube, patrocinador ou agente. A falta de conhecimento e a certeza de que certo ostracismo voltará a imperar entre a mulherada no dia seguinte em que alguma seleção levantar a taça de campeã não advém de falta de qualidade das meninas e sim, da falta de apoio, reconhecimento e investimento das entidades esportivas e empresas patrocinadoras. Mas querem saber, sei que elas adorariam ter reconhecimento muito maior do que têm e merecem isso, mas, temos de concordar, tem feito um bem danado pro futebol delas. 

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