sexta-feira, 25 de março de 2011

As cotas de televisão

             A polêmica das cotas de televisão toma conta do noticiário esportivo dia após dia, antes de postar qualquer coisa sobre o assunto no blog preferi esperar e acompanhar mais sobre as possibilidades de desfecho do episódio. Uma coisa era evidente desde o princípio, as emissoras de televisão, leia-se Globo, não ficaria por baixo, a princípio, meu grande medo era que os clubes acabassem sendo os grandes prejudicados nessa corrida televisiva, caindo num conto do vigário, seduzidos por propostas aparentemente vantajosas e depois, presos em contratos mirabolantes, apenas perdessem dinheiro. Essa hipótese não está descartada, mas não me parece ser efetivamente o que vai acontecer, o grande golpe da Rede Globo deve ser mesmo nas outras emissoras e o maior prejudicado deve ser mesmo o Clube dos 13.
            Para quem não sabe, o Clube dos 13 foi fundado no final da década de 80 como uma organização dos principais clubes do Brasil, inicialmente para a realização do campeonato brasileiro de 1987, dada a desistência da CBF em fazê-lo, desde então, vem funcionando como um órgão onde os clubes discutem seus interesses de maneira coletiva e um intermediador em negociações como a das cotas de televisão, durante as últimas duas décadas tais negociações sempre foram feitas por esse intermédio, até esse ano em que alguns clubes começaram a achar mais vantajosos a negociação individual, fato que ocorreu dado ao maior número de emissoras interessadas na transmissão do campeonato brasileiro, como Record e Redetv que até esse ano não os transmitiam.
            Trata-se de nada mais nada menos do que uma queda de braço, as emissoras competindo entre si pelos melhores contratos e os clubes, não mais unidos competiriam pelo maior faturamento. O problema é que essa queda de braço é absolutamente desigual, como se fosse Anderson Silva VS Lucas Leão, ainda que a Redetv tenha assinado contrato no Clube dos 13 com os clubes que concordaram em permanecer negociando pela entidade, a Globo já abraçou outros diversos com propostas mais vantajosas e, como sabemos, um jogo só pode ir ao ar caso os dois clubes estejam de acordo com isso. Com a negociação conjunta, não havia problemas nesse sentido e os repasses eram feitos normalmente, agora, já não sabemos se um clube com contrato com uma emissora outro com outra permitiram a transmissão das duas, agora vale o cada um por si.
            Obviamente isso vai render muita polêmica, mas ainda é difícil prever que alternativa os clubes e emissoras arranjaram para resolver a situação, mas o maior problema continua sendo a disparidade na possibilidade de alcançar interesses, não apenas a Globo leva vantagem sobre as outras como os grandes clubes levam imensa vantagem sobre os menores, a Record recentemente, ao perceber as dificuldades da concorrência que assumiu ironizou dizendo que enquanto Flamengo e Corinthians estivessem disponíveis seus interesses estavam de pé, pois o que importa é ter a duas maiores torcidas do país, as que realmente dão audiência. É verdade, para as emissoras é tanto melhor ter contrato com os maiores clubes, que obviamente receberão as melhores propostas, com o passar dos anos a diferença de receita entre os mesmos se tornará colossal, tornando impossível a competitividade de um clube do nordeste com outro do Rio, só para citar um exemplo, é mais uma demonstração da batalha Davi e Golias expressa em todos os lados dessa disputa.
            O contrato proposto pela Record ao Corinthians gerou dúvida no próprio clube sobre as vantagens que geraria. Foi oferecido um valor multimilionário pelos direitos de transmissão do ano todo e apenas do Corinthians, ou seja, o fiel torcedor teria a certeza de poder durante o ano todo acompanhar seu time pela TV na Record, ótimo não? Não, como para a emissora, só interessam Corinthians e Flamengo, todos os jogos do timão seriam transmitidos para o estado de são Paulo, inclusive os realizados na capital paulista, o que poderia impulsionar um desinteresse do próprio torcedor em ir ao estádio.
            Acima de qualquer juízo sobre o caso, vejo cada clube e cada emissora com todo o direito de buscar de maneira lícita seus interesses, essa busca, contudo, pode gerar conseqüências sendo que as principais citei nos parágrafos anteriores, a resolução dessa confusão é cena dos próximos episódios e que seja tudo logo resolvida antes que o maior prejudicado seja mesmo o telespectador.

Um comentário:

  1. Sem dúvida quem mais perde com a negociação direta é o futebol brasileiro, que deixará de ser disputado e consequentemente emocionante.
    O nível dos campeonatos estaduais e do brasileirão tendem a cair muito. O único consolo nisso é que teríamos maior potencial para criar equipes com grandes receitas, que poderiam suportar elencos estrelados, comparáveis com os times dos times tradicionais da Europa.

    ResponderExcluir