Se o assunto é sub 20 eu poderia falar da vitória do Brasil sobre o Equador, da vaga quase garantida para Londres, da plasticidade desse bom e promissor time ou de como eles fizeram uma vitória que poderia ser fácil ter se tornado difícil, poderia falar da falta que fez Neymar ou de como Lucas é habilidoso e o quanto Casemiro é bom jogador.
Mas não vou, o assunto hoje é bem mais importante e especial do que uma partida isolada e as conclusões ficam para a madrugada do próximo domingo. O assunto é a ressurreição de uma das mais especiais seleções do mundo.
Enquanto assistia a decepção tricolor no Engenhão, me chamou a atenção o jogo entre Uruguai e Argentina, especialmente os minutos finais e o pós jogo com a celebração emocionada dos uruguaios pela conquista da vaga olímpica, já assegurada após nada menos que 82 anos.
A seleção uruguaia conquistou o apelido de celeste olímpica pelas medalhas de ouro conquistadas em 1924 e 1928, time base para o que seria campão da primeira copa em 1930, jogando em casa. Depois do feito, nunca mais o Uruguai tinha participado de uma edição olímpica, mesmo com o apelido, mesmo sendo bicampeão do mundo nas décadas posteriores. Não é o caso de pensar que os garotos, heróis da conquista da vaga não eram nem nascidos na última participação como se faz muito, seus avôs provavelmente ou não eram nascidos ou eram crianças de colo.
Imagino algum celebre jogador uruguaio da década de 20, com duas medalhas olímpicas no peito olhando para uma criança recém nascida sem a menor idéia de que apenas o neto daquele bebê conseguiria colocar o Uruguai de novo na disputa olímpica. Tudo isso justificou a celebração mais que emocionada dos jogadores, comissão técnica e torcedores uruguaios e a cena foi mesmo de arrepiar. Enquanto os jogadores incrédulos se abraçavam euforicamente no campo, os torcedores iam as lágrimas, um deles, jovem como qualquer um dos atletas, chorando muito berrava “te amo Uruguai” abraçado à bandeira.
Domingo Brasil e Uruguai decidirão o título desse sul- americano, eu não torcerei contra esse bom time brasileiro, mas uma possível conquista uruguaia seria de um charme todo especial. Já outra equipe bicampeã, a atual bicampeã Argentina, resta trabalhar para não ficar tanto tempo distante como fizeram os uruguaios, nessa edição é praticamente certo que não estarão e vale também aproveitar essa geração bi- medalhista olímpica, hoje formando a seleção principal para conquistar títulos na categoria profissional, para mim, a melhor geração de jogadores dentre todas as seleções do planeta.
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