sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Roberto Carlos e a mancha

Roberto Carlos concedeu entrevista à rádio Bandeirantes essa semana onde soltou o verbo pela sua saída do Corinthians. Declarou que saiu sim pelos atos de vandalismo cometidos por parte da torcida após a eliminação precoce na Libertadores, que já jogou partidas importantíssimas em diversos clubes e pela seleção e que não amarelaria pro Tolima e que mesmo com propostas de Palmeiras, Flamengo, Los Angeles Galaxy, preferiu seguir para a Rússia.
            O jogador tem razão em algumas coisas, não acho que ele deixou de jogar contra o Tolima por medo e se Tite não o escalou sua situação física não devia ser a melhor, cada vez mais fica claro que jogador entrar em campo só com o nome não funciona. Mas o desfecho da trajetória pelo Corinthians mancha a passagem, pra ser bem verdadeiro, a passagem de Roberto Carlos pelo timão, como um todo, foi uma macha na sua carreira.
            Roberto Carlos jogou bem em 2010, foi o melhor lateral esquerdo do campeonato brasileiro e referência de uma equipe que passou todas as rodadas entre os quatro primeiros colocados. Nada disso é guardado, o verdadeiro torcedor corintiano, claro, lamenta a saída sabendo que Fábio Santos não está a altura e que o elenco vai sentir falta da qualidade do lateral, mas nem mesmo o torcedor mais compreensivo lembrará de Roberto Carlos com saudade por muito tempo, não haverá do que lembrar, a passagem não foi marcada pela conquista de títulos, não houve nenhum gol ou partida memorável e a saída foi melancólica.
            Enquanto isso, no clube onde Roberto Carlos é e sempre será ídolo, o Palmeiras, ficará sempre uma chateação, a de que o lateral atuou pelo maior rival. Isso não impede que continue a ser ídolo absoluto do alviverde, Edilson, Luizão e Viola atuaram pelo Palmeiras e não deixam de ser ídolos corintianos, Edmundo atuou por Corinthians e Flamengo, mas não deixa de ser ídolo do Palmeiras e do Vasco, Reinaldo e Toninho Cerezo atuaram pelo Cruzeiro, Andrade pelo Vasco e por aí vai.
            Esse tipo de episódio, infelizmente, é muito comum e é infelizmente mesmo, para todos os jogadores citados, jogar no clube rival não passou de um erro de trajetória, de uma mancha num passado ou presente glorioso, num ato absolutamente desnecessário. Como Ronaldo tem sido tão comentado esses dias, os torcedores de Barcelona, Real Madrid, Inter e Milan devem pensar a mesma coisa do fenômeno, aliás, ele foi tão volúvel em suas trajetórias clubísticas, que fora o fato de ser o monstro que é não seria ídolo absoluto de nenhum dos quatro clubes, em nenhum deles descreveu uma trajetória sólida, permanente, rica em conquistas, etc. Os torcedores desses quatro clubes sabem que o maior camisa 9 de todos os tempos vestiu sua camisa, e levarão isso em consideração, mas Ronaldo não se permitiu uma sequência respeitável em nenhum deles, mancha na carreira mais relembrada desse mês.
            Enfim, Roberto Carlos termina sua excepcional carreira de maneira triste, no frio russo atrás somente de dinheiro, se ao menos construísse uma passagem sólida pelo Corinthians teria um final individualmente mais bonito e eu não acredito de maneira nenhuma que após a passagem pela Rússia Roberto Carlos ainda consiga qualquer coisa atuando por outro clube em outro lugar. O jogador tem todo direito de ir atrás de dinheiro, e está muito claro que ele tem alguma lenha pra queimar, mas naquela inocente perspectiva pouco comercial dos que amam o esporte e desejam ver seus ídolos de perto, Roberto Carlos poderia mesmo ter seguido no Brasil.

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