quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O dia dos franceses

            No dia dos jogadores franceses, a terça- feira de Liga dos Campões da Europa praticamente colocou o Chelsea às quartas de final e deu certa vantagem ao Real Madrid. Não vi o jogo entre Lyon e Real, mas diria que a vantagem é excelente não fossem dois traumas que atormentam madrilistas a anos, a freguesia para o Lyon e a sina das oitavas de final, como o futebol é cheio de superstições e há muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia, não dou tanta vantagem ao Real, os gols forma de Benzema e Gomis, aliás, o atacante do Real marcou em sua primeira participação na partida e justamente contra seu ex clube, está cada vez melhor e se mantém imune as criticas que sempre lhe perseguiram no Real.
            Benzema sequer foi convocado para a copa do mundo, a meu ver, de forma justa, quem teve chance foi Anelka, que ontem teve um dia raro na sua carreira em que foi mesmo o dono do jogo. Com uma atuação pra, no mínimo nota oito, Anelka fez dois gols criou lances, está atuando mais recuado e mesmo assim joga bem, dá passes, cria jogadas e chega na área para concluir, ontem foi letal.
            O Chelsea mais uma vez fez um joguinho morno, meio chato de assistir com Lampard fixado no centro e tentando passes (acertou um sensacional no segundo gol), Essien mais próximo da defesa e marcando e com Ramires (bem) e Malouda se movimentando pelos flancos, a proibição de atuação a David Luiz por já ter jogado a fase anterior pelo Benfica deu chance a Bosingwa na lateral trazendo Ivanovic para o miolo de zaga, com Alex ou David Luiz, o sérvio volta para a lateral e o português volta para o banco. Não foi nenhuma partida arrasadora dos blues, mas o time se aproveitou da fragilidade do adversário e do dia iluminado de Anelka para abrir excelente vantagem e por os dois pés na próxima fase, o companheiro do francês, Torres, fez o que deve ter sido sua melhor partida pelo Chelsea, criando oportunidades e sendo agressivo, não estava tão infernal quanto Anelka. Percebe-se que Torres e Drogba não vão mesmo atuar juntos, já deu errado contra o Liverpool e Ancelotti não vai insistir, Anelka permanece no time, pois tem mostrado poder de adaptação a uma função mais criativa na equipe, o marfinês é imensamente mais jogador que o espanhol, mas já está rondando os 33 anos e se tornando mais lento e menos letal, sete anos mais novo El Niño vai acabar tendo a chance e tem bola para aproveitá-la, mas insisto não entender porque tanta critica para Benzema paralelas a tanta idolatria a Torres, são dois jogadores comuns, cheios de defeitos, algumas virtudes, o futebol é mesmo um terreno das aparências.
            Hoje, confesso que estava mais interessado em assistir Olympique e Manchester, mas a reedição da final do ano passado foi razão suficiente para eu optar por Bayern e Inter, mesmo com os dois times muito abaixo do que se viu no ano passado. Em campo o que se viu foi um Bayern pressionando nos minutos iniciais de cada tempo, encurralando toda a Inter no seu campo de defesa até que o time italiano conseguisse reagir e equilibrar o jogo, conseguiu em ambas as etapas, mas perdeu oportunidades demais.
            A estratégia de Leonardo não funcionou, povoou o meio de campo em cada setor deixando apenas Eto’o isolado na frente. Cambiasso, Thiago Mota, Stankovic, Zanetti, Sneijder, todo mundo entrou como titular. Seria uma boa estratégia se Zanetti ajudasse a proteger o lado direito da marcação enquanto Maicon investisse na criação pelo lado direito, o mesmo não vale tanto para Thiago Mota e Chivu no lado esquerdo, e se, com a criatividade de um time com um meio campo tão recheado, o camaronês isolado recebesse bolas com qualidade o suficiente para concluir. Enquanto não estava acuado em seu campo como nos minutos iniciais dos dois tempos parecia funcionar, mas a Inter perdia muitas chances por uma razão clara, Cambiasso, Maicon e Stankovic, todos com um dia lamentável na pontaria eram quem apareciam para as finalizações, num time com cinco jogadores de meio campo e um lateral bom de apoio é um absurdo que o jogador mais criativo seja justamente o atacante e foi justamente isso, Eto’o foi quem pegava a bola pelos flancos e tentava criar situações de gols, duas delas perdidas de maneira lamentável por Cambiasso.
            O Bayern fez seu jogo, avançou quando teve campo, marcou quando foi preciso e contou com as investidas de Robben, também teve boas chances, uma delas perdida pela falta de perna direita do holandês, mas no finzinho do jogo com sua jogadinha típica de pegar a bola na direita, puxar para a canhota e bater forte pro gol o mesmo Robben surpreendeu Julio Cesar que deu rebote para o artilheiro Mario Gomez completar pro gol, vitória magra, mas fundamental e convincente, de um Bayern forte tática e tecnicamente, com Robben e Ribery finalmente atuando juntos novamente, a inter terá trabalho na Alemanha.

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