segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dois Gordos e um adeus

Tive problemas no computador durante o fim da semana e não consegui escrever sobre os amistosos internacionais nem a decepção do Fluminense na estréia da Libertadores, pretendia hoje escrever sobre o fim de semana, a excepcional goleada do Milan, o melhor jogo internacional da semana, a vitória do Galo no clássico mineiro, a retomada da liderança pelo Palmeiras no paulistão, a formação das semifinais da Taça Guanabara no Rio, etc. Posso vir a escrever alguma coisa sobre isso depois, mas nesse momento nada no mundo esportivo, especialmente no futebol é tão importante quanto a despedida de Ronaldo.
            Foram aproximadamente 20 anos de uma carreira extraordinária, foi o jogador mais fantástico que o mundo da bola produziu nesse mesmo período ao lado do francês Zidane, foi o jogador que formou a melhor dupla de ataque de todas as eras no futebol com Romário entre 95 e 98 na seleção brasileira, o maior goleador de todas as Copas do Mundo, campeão da mesma e três vezes eleito o melhor jogador do planeta. Paro por aqui por que só os feitos de Ronaldo já seriam suficientes para um post extremamente longo.
            Claro, o momento é de homenagear o eterno e insubstituível camisa 9, mas não dá pra ficar lamentando, querendo fugir um pouco aos milhões de depoimentos melosos que surgirão nessa segunda feira, lembro que é necessário reconhecer que Ronaldo já não é um atleta a algum tempo, abreviado pelas intermináveis lesões e a incrível facilidade em ganhar peso, o fenômeno é daqueles que não tinham a menor condição de permanecer nos gramados até próximo aos quarenta anos como muitos tem feito e desmente a máxima de que se tal jogador genial estivesse em atividade até hoje, seria muito melhor que muita gente por aí. N a vida de qualquer pessoa existe um ciclo, o de Ronaldo como atleta já havia terminado, o de Ronaldo como jogador está terminando, a saudade é pior quando a gente percebe que jogadores do nível dele estão se tornando cada vez mais raros.  
            Não dá pra ficar culpando ou julgando os torcedores do Corinthians que fizeram aquele tumulto pela eliminação para o Tolima, qualquer time que passe por um vexame daqueles está sujeito a isso, ainda mais com jogadores que parecem ser um a menos em campo. Não dava para o Corinthians simplesmente aceitar que o ano seria de fiascos simplesmente por respeito a tudo que Ronaldo significa. A violência que praticaram é outra discussão, mas sou da opinião que futebol gera mesmo esse tipo de comportamento, gerava e continuará gerando, qualquer torcida de qualquer time está sujeita, existem leis, policiais e detenções por isso.
            Sem querer fugir ao foco mesmo já tendo fugido volto a Ronaldo, sem ele, o futebol fica mais pobre, e vai ficando mesmo, nos últimos cinco anos essa é a terceira aposentadoria que rende um clima de adoração geral, as outras foram de Romário e Zidane. Na perda de nomes como esses eu penso que se Messi não existisse o futebol estaria a um passo de se tornar absolutamente sem graça.
            O natural de um post de despedida seria ficar recriando cada passagem da carreira do fenômeno como se todo mundo não soubesse do começo no Cruzeiro, do sucesso em clubes como PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid e Milan, das lesões e voltas pro cima, de tudo que ele fez na seleção e enfim no Corinthians. O que vale mesmo é destacar os momentos mais marcantes, por exemplo, o que Ronaldo fez com a bola no pé nos tempos nos três primeiros clubes europeus citados foi uma barbaridade, a melhor época da carreira, o ressurgimento nos gramados asiáticos em 2002 foi nada menos que... Fenomenal e o time que ele formou junto a Zidane no Real Madrid, memorável.
            Endossando o coro do Brasil e do mundo nessa segunda feira triste fica um obrigado Ronaldo, ninguém, seja um corintiano delinqüente ou jogador de Pró Evolution poderá apagar as páginas escritas de um dos que mais e melhor fizeram com uma chuteira, um gramado e uma bola nos pés.
           

            E já que falamos de um gordo sensacional, outro gordo, pequeno perto do fenômeno, mas muito bom de bola fez um gol digno de Ronaldo no fim de semana, no derby de Manchester Rooney acertou uma bicicleta no ângulo que confirmou o retorno do seu futebol em alto nível, apagado desde a copa. O gol foi tão espetacular que mereceu citação, mesmo no post em que dou adeus a Ronaldo, pensando bem, se ainda fazem gols assim, o futebol talvez não esteja assim tão sem graça.    

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