Nesse dia de quase luto no futebol mundial, convido o leitor a olhar também para outro lado, não apenas do que se vai, mas daquilo que vem. Ronaldo foi mesmo completamente singular e não importa se Y ou X jogaram mais ou menos que ele, em termos de popularidade R9 só é superável por Pelé, tão unânime, querido e consagrado.
O que o esporte perdeu hoje é insubstituível sim, e ninguém quer substituir Ronaldo, o que queremos é uma nova safra de talentos com capacidade de trazer alegria e admiração. No Brasil especialmente costuma ser sempre assim, vai um time, chega outro, vão jogadores outros vêm.
Na madrugada de sábado tivemos uma prova concreta de que o futebol brasileiros ainda está bem vivo, a garotada do sub 20 goleou o Uruguai por 6 a 0 num verdadeiro espetáculo da bola, como os brasileiros sempre foram especialistas em fazer.
Tostão tem dito insistentemente em suas colunas que acha bobagem dizer que o Brasil é um eterno celeiro de craques e não ocupa essa posição a algum tempo, concordo em partes, a atual geração brasileira não tem nomes como um Ronaldo, é vulnerável, vem de duas copas absolutamente decepcionantes e torcer pela seleção se tornou pavorosamente chato, contribui pra isso os treinadores que querem privilegiar sistemas táticos, usar os chamados “jogadores úteis” e defasarem o time do talento de seus melhores jogadores.
A atual geração brasileira não é mesmo nada espetacular, mesmo que Dunga tenha sido um criminoso na convocação e condução da seleção na África do Sul, faltavam mesmo peças do calibre de um Ronaldo para jogar, mesmo que Kaká seja um excelente jogador, e é, ele está a alguns passos de ser o Romário de 94 ou o Ronaldo de 2002.
Mas voltando ao sub 20, não vejo razão para já agora tirar o crédito dessa geração que, pelo apresentado no Peru pode trazer de volta o futebol brasileiro ao caminho das glórias e do talento. Se NESSE MOMENTO, jogadores como Hernanes, Renato Augusto, Douglas, André Santos, Pato e outros bons jogadores, mas sem absolutamente nada de excepcional vão se tornando base da seleção brasileira, porque não acreditar que Ganso, Neymar, Lucas, Casemiro, Philippe Coutinho e David Luiz podem mudar esse cenário?
O time foi muito bem ao longo de todo o sul- americano, voou em determinadas partidas, Neymar está cada vez mais humilde e conformado com os inevitáveis exageros na marcação, o habilidoso Lucas está cada vez mais confiante (precisa aprender a passar a bola), Casemiro é um líder, um xerife com todas as virtudes técnicas e táticas de um jogador do setor e o time ainda jogou sem Philippe Coutinho, ausente por problemas físicos que o impedem inclusive de seguir atuando regularmente pela Inter de Milão.
Falta a cada um deles se tornarem, de fato, grandes jogadores de futebol, existe um abismo que separa o rapaz habilidoso do grande jogador, o melhor exemplo para mim é Kerlon, o foquinha, sempre tão habilidoso, nunca foi jogador de futebol. Pato também está na hora de reagir e provar que é quem pensava ser, de certa forma faz parte dessa geração e vai a Londres com esses meninos.
Entendi Tostão e concordei quando li sua coluna com as primeiras convocações de Mano, cheias de jogadores comuns demais para vestirem a camisa da seleção brasileira, ainda penso que o Brasil inicia sua corrida pelo tão cobrado título em 2014 atrás de concorrentes diretos com gerações já consagradas como Argentina e Espanha, mas, fica a impressão de que não havia um momento de maior consolo para Ronaldo anunciar o fim, ele o faz justamente na ocasião de euforia, de um time que surge com cara de Brasil.
Aposto nisso? Talvez, não quero responsabilizar ninguém por nada, como eu disse é preciso separar o que é uma geração talentosa da de bons jogadores, mas para se chegar a uma coisa, é preciso passar pela outra, isso já conseguimos.
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